-Pare de culpar as pessoas pelos seus problemas! - Repetia em frente ao espelho a mesma frase inúmeras vezes. Era uma dessas madrugadas frias que a maior parte das pessoas já está bem confortável em seus edredons, mas não, ela tinha que estar no banheiro. Sempre ia pra lá quando sentia que todo o resto da casa a sufocava, tinha vontade de gritar, mas não podia.
Era incrível o efeito bola de neve que ela causava aos seus problemas, sempre foi assim desde criança. Não se contentava em esbarrar num copo, tinha que no momento da agitação tentando consertar as coisas quebrar a louça inteira. E como se não bastasse de atos impensados ela sempre acabava gritando com alguém, soltando palavras agressivas, magoando aquela pessoa que tinha dito oi.
-Fiz de novo, fiz de novo! – falava para si mesma enquanto tentava tirar o peso por sempre errar de suas costas. Foi sem sucesso. Era algo de sua natureza talvez, sempre magoar quem estava próximo, ela não quer mais ser próxima para não fazer isso. Ou pelo menos não ficar próximo, sabe, gostar de longe, fazer carinho com o pensamento.
Era uma mania horrível aquela. Toda vez que queria um carinho ou cafuné, por simples carência ou tristeza daquelas que aparecem as vezes quando menos se espera, acontecia. Antes de conseguir se fazer entender que precisava de consolo soltava várias palavras más e duras. Nunca quisera tanto ficar calada como naquelas horas.
E ia de mão em mão querendo um afago, mas quando chegavam perto ela parecia morder. Ela odeia morder quem chega pra fazer carinho, mesmo assim na hora faz, porém se arrepende. Era exatamente isso que estava acontecendo essa noite, mais uma vez. Estava arrependida por ter sido tudo que nunca gostara. Uma péssima ouvinte, alguém que nunca soube fazer escolhas e mesmo querendo a todo custo ser determinada vivia andando em cima do muro. Realmente, um esboço mal feito do que realmente sonhou ser um dia.
domingo, 28 de dezembro de 2008
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Só por hoje.
Estou cansada demais para formular qualquer coisa elaborada ou mais uma das minhas idéias mirabolantes. Desisti de ter alguma teoria concreta, pelo menos por hoje. Abro mão dos meus pensamentos radicais e meus conceitos fixos. Sem idéias, assim que eu quero permanecer agora. Sem nada que martele na minha mente a mesma pergunta sem resposta, o mesmo ponto de interrogação que sempre ronda por aqui nas horas vagas.
Ouvir qualquer musica que não signifique nada e tentar prestar atenção nas linhas do teto. Me dedicar a pintar uma folha em branco da mesma cor, por inteiro, até não restar nenhum espaço vazio. Procurar me focar em absolutamente nada e ocupar meu tempo, realmente é uma tarefa árdua fugir dos seus próprios pensamentos. Não quero formular nada, só por hoje.
Ouvir qualquer musica que não signifique nada e tentar prestar atenção nas linhas do teto. Me dedicar a pintar uma folha em branco da mesma cor, por inteiro, até não restar nenhum espaço vazio. Procurar me focar em absolutamente nada e ocupar meu tempo, realmente é uma tarefa árdua fugir dos seus próprios pensamentos. Não quero formular nada, só por hoje.
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