Pegou suas coisas com pressa e as jogou dentro da primeira mochila que viu. Abriu os armários e gavetas procurando o que faltava e depois disso partiu. Deixou em cima da mesa todas as cartas, as mensagens, as risadas e os carinhos que um dia ele havia feito. Prendeu um pedaço amassado de papel na mesa e deixou em forma de bilhete: “Levei comigo tudo que era meu, suas lembranças estão na mesa. Deixe tudo que sobrou de mim dentro do armário, um dia volto para buscar. Devolva em especial o afeto que nunca lhe deixei faltar, se é que você sabe aonde está.”
Fechou a porta aflita e deixou a chave no tapete. Seguiu em direção a primeira rua que encontrou sem pensar aonde levaria, o caminho não era importante, só queria andar. E a cada passo ia relembrando uma historia, olhava pra trás e tinha vontade de voltar. Não dava mais, sabia que tinha que partir, não que o que sentia tivesse esgotado, talvez o sentir demais que a esgotasse.
Precisava viver além dos sentimentos dos outros, afinal, ela tinha os próprios que costumava ignorar. Não podia mais deixar os sentimentos alheios tomarem o primeiro lugar em seu coração. Tinha uma vida pra viver, queria que entendessem o seu amar. Queria ver o céu e o mar, queria voltar a sonhar com o cavalo branco sem que ninguém lhe dissesse que era impossível realizar.
Ele abriu a porta e viu inúmeras coisas em cima da mesa. Evita encontrá-la em casa fazia algumas semanas pelo simples medo, medo de não saber se estava hoje a amando mais que ontem. Começou a ler as cartas, os e-mails, os presentes bobos que ele mesmo havia dado pouco depois de se conhecerem. Sorriu encabulado ao constatar que a amava e saiu pela casa a lhe chamar.
Não achou ninguém, talvez tivesse saído para comprar alguma coisa ou algo parecido, foi o que ele começou a pensar. Sentou novamente a mesa e começou a ver todas os objetos, um a um até encontrar o bilhete. Abriu os armários e viu que estavam vazios de coisas dela. Sentiu um aperto ao peito, sua voz já não saia e a única vontade que tinha era de gritar.
Sentou na cama e começou e pensar: Se ela sempre disse que me amava tanto, me pedia para nunca sumir ou deixá-la sozinha e foi embora deve haver um motivo! – Sentiu raiva, pensou num novo amor. Foi seguir friamente (porém não sem dor) o bilhete. Procurou todas as coisas que tinha dela. Procurou, procurou, não sabia onde estavam. Talvez nunca tivesse guardado um de seus bilhetinhos bobos. Aqueles que ela prendia na parede algumas manhãs. Talvez antes de hoje nunca tivesse dado valor.
Sentiu remorso, mais ainda quando viu que ela tinha tudo. Todas as suas lembranças, o seu carinho. Percebeu também que as lembranças eram antigas, nada de novo havia naquilo. Imaginou quanto tempo ela devia ter vivido daquelas lembranças antigas, sem um afeto novo, sem mais um ‘eu te amo’, sem nenhum sussurro.
Entendeu finalmente o porque daquilo tudo. Sentiu raiva dele, das pessoas, do mundo. Apagou as luzes e foi se deitar. Talvez sonhando pudesse imaginar que o bilhete não existia e ela estava arrumada a lhe esperar. Em suas mãos tinha uma carta, e essa, ao menos em sonho ele continuou a guardar.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Que amor é esse?
Não leve a mal, por favor. Minhas birras e malcriações são somente fruto da insegurança rotineira. As palavras feias que digo são apenas para perceber que não sou irrelevante. Eu sei, você deve estar se perguntando que amor é esse que ao carinho age sem jeito, aparentemente trata com pouco caso e responde com palavras afiadas na primeira oportunidade.
Eu te respondo: também não entendo, em mim existe um medo, um grande medo desses sentimentos todos. Não sei lidar bem com eles, nunca soube. A felicidade sempre veio muito fácil, a tristeza nunca durou muito mesmo que viesse acompanhada da melancolia. Agora o amor, esse nunca soube achar seu lugar aqui. Sempre aparece, mas raramente está completamente confortável. É desastrado, acaba pisando em alguma coisa, desarrumando os fatos, brigando com os outros, criando confusão. Nunca levou muito jeito para ficar no meio dos outros. Talvez o amor em mim deva ter nascido para ser solitário, essa é a conclusão.
15/12/08
___________
um pedido de desculpas atrasado talvez..só isso.
Eu te respondo: também não entendo, em mim existe um medo, um grande medo desses sentimentos todos. Não sei lidar bem com eles, nunca soube. A felicidade sempre veio muito fácil, a tristeza nunca durou muito mesmo que viesse acompanhada da melancolia. Agora o amor, esse nunca soube achar seu lugar aqui. Sempre aparece, mas raramente está completamente confortável. É desastrado, acaba pisando em alguma coisa, desarrumando os fatos, brigando com os outros, criando confusão. Nunca levou muito jeito para ficar no meio dos outros. Talvez o amor em mim deva ter nascido para ser solitário, essa é a conclusão.
15/12/08
___________
um pedido de desculpas atrasado talvez..só isso.
Assinar:
Comentários (Atom)
