sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Eu vou escrever um conto em sua homenagem!

Ela estava fumando seu cigarro na areia do Leblon em plena 3ª feira e já havia perdido as contas de quantas chamadass não atendidas haviam em seu celular. Pais sufocantes, problemas que ultrapassam gerações, o caos familiar virando o nosso caos, não importa. Se fosse parar para pensar conseguiria sentir a dor de seus pulmões frágeis com toda aquela fumaça que parecia ter um gosto agradável e tranquilizante, a droga da vez, o remédio contra todo o tédio e dor do dia-a-dia. Usual.

Parou um tempo, olhou a mochila, aquele lenço amarrado parecia estupido agora, queria chamar a atenção de quem? Boa pergunta. Não é pecado querer ter a atenção de alguém quando sente que o mundo está  rápido demais para se acompanhar alguma noticia que todos falam mas você nem leu.

Talvez aquele emblema de colégio costurado, o desenho no bolso da frente, as fitas e pingentes tivessem perdido o significado. Talvez nada passasse de mais um ciclo que havia chegado ao fim.

Para quê três maços de cigarros? Exagero e desespero. Queria que alguém se importasse com sua saúde, queria chamar atenção, essa gente mimada não toma jeito nunca. Melhora, mas logo já está de novo fazendo as mesmas estupidas coisas. Só querendo regras, limites, atenção. Alguem que realmente se importe com algo que preste.

Será que eu não presto? É isso? Por isso você não grita mais comigo ou reprime algum instinto idiota meu? Dói ser esquecida, dói ser esquecida antes de esquecer.

Fuma mais um cigarro.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Ideias estúpidas costumam ser reconfortantes.

Quando as coisas começam a dar mais errado do que costumavam dar eu continuo pensando na mesma ideia fixa e absurda que consumiu meus dias mas me trouxe um cansaço tranquilo, um choro convicto e uma paz retorcida. Eu não deveria fazer escolhas tão burras, mas elas me escolhem como quem necessita de algo para se apoiar. 

permanência.

A gaiola estava aberta mas o pássaro não fugiu. Já havia se acostumado a prisão, ao confinamento. Mesmo que olhasse melancolicamente pelas grades da gaiola, o medo e a paciência eterna não o deixavam sair. Interiormente. Emocional. Aquele momento perigoso do dia em que você sabe que se prendeu a uma barreira imaginaria, porque tem medo de viver sem esse tormento, porque o seu tormento, dolorido e custoso, é também carregado de esperança, de sonhos, de uma perspectiva inexistente de mudança que se agarra entre meus dedos calejados de tentar mudar tudo. E permanecer, constantemente, no mesmo lugar escuro.

você gosto eu espaço

Acordei com uma saudade aguda. Uma quase necessidade de abraçar e beijar e amar. Essas lembranças impressas em mim. E eu corro, e eu ando, e eu vou de encontro com elas. E você, onde está? Onde está o seu cheiro forte de homem e suas ações de menino? Onde está a força de vontade para me mandar longe e manter minha cabeça em frente sem memorias passadas de um eu você inexistente..

Eu quero jogar todos os seus bilhetes fora, eu quero relê-los todos os dias. Eu só os mantenho intactos e fora do meu campo de visão.

Dói recordar. Eu não quero esquecer. Vivo num intervalo perdido entre esses dois pontos para continuar gravando em mim uma meia imagem sua que se torna cada dia mais misteriosa e linda. E confusa; Contenho o ímpeto, não te procuro, não lhe respondo. Chego a não me ouvir quando sua presença se faz. Grito internamente. Permaneço por fora. Faço o que devo, e se me distraio, você retorna ao controle, atordoa minhas ações, quebra alguns pratos, e se despede.

Manhã estupida, chata e estupida, e linda porque o céu está num tom azul iluminado. E brilha, e sorri! E eu sorrio de volta! E você é saudade, e você é gosto. E eu sou espaço, lembrança.  Mordida, riso, mãos. Minhas mãos. Elas perambulavam por você, e eram levadas pela sensação de ter;  seu semblante tranquilo é o ponto inicial da minha falta. 

eu poderia gritar para os pombos.

Nem tudo que morde é lobo. Nem todas as minhas palavras foram sinceras, algumas só queriam machucar. Da mesma forma que me senti violada e violentada pelas suas ações. Usei o que sabia fazer melhor, ofender e magoar, para ver se a sua ausência fazia meu pranto acabar, para ver se as coisas se acertavam.

Eu queria o fim.

E agora que o tenho, 

e agora?