Ela estava fumando seu cigarro na areia do Leblon em plena 3ª feira e já havia perdido as contas de quantas chamadass não atendidas haviam em seu celular. Pais sufocantes, problemas que ultrapassam gerações, o caos familiar virando o nosso caos, não importa. Se fosse parar para pensar conseguiria sentir a dor de seus pulmões frágeis com toda aquela fumaça que parecia ter um gosto agradável e tranquilizante, a droga da vez, o remédio contra todo o tédio e dor do dia-a-dia. Usual.
Parou um tempo, olhou a mochila, aquele lenço amarrado parecia estupido agora, queria chamar a atenção de quem? Boa pergunta. Não é pecado querer ter a atenção de alguém quando sente que o mundo está rápido demais para se acompanhar alguma noticia que todos falam mas você nem leu.
Talvez aquele emblema de colégio costurado, o desenho no bolso da frente, as fitas e pingentes tivessem perdido o significado. Talvez nada passasse de mais um ciclo que havia chegado ao fim.
Para quê três maços de cigarros? Exagero e desespero. Queria que alguém se importasse com sua saúde, queria chamar atenção, essa gente mimada não toma jeito nunca. Melhora, mas logo já está de novo fazendo as mesmas estupidas coisas. Só querendo regras, limites, atenção. Alguem que realmente se importe com algo que preste.
Será que eu não presto? É isso? Por isso você não grita mais comigo ou reprime algum instinto idiota meu? Dói ser esquecida, dói ser esquecida antes de esquecer.
Fuma mais um cigarro.

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