sábado, 21 de maio de 2011

Pelo menos nessa madrugada...

Toda aquela conversa e essa sensação de que meu maior medo fosse acreditar em alguma felicidade que pode não ser certa. É que dá medo, eu sou medrosa demais para me deixar levar por uma sensação que tire de alguma forma meus pés do chão, mesmo que voar seja o meu maior desejo.

Mas essa noite é diferente, nessa madrugada alguém me convenceu que vale a pena se permitir, acreditar, mesmo que esse sonho bom só dure alguns momentos, por isso, nessa noite, eu dedico meus últimos momentos a permissão. Eu permito imaginar alguns sonhos bons, e sono, por favor, demore a me buscar essa noite, mais do que habitualmente demora. Porque nessa madrugada, somente nessa, eu me permito amar, amar com todos os carinhos, todos os pescoços e feridas e sorrisos. Boa noite, realidade.


Abril 2011

Medo do escuro.

Minha mente anda me pregando peças. Acordei e alguma coisa disse dentro de mim que estava tudo certo, e eu sorri no escuro, e deitei minha cabeça no travesseiro, já pronta para realmente descansar. Até constatar que tinha sido tudo um sonho. Pude voltar a me encolher entre minhas cobertas. O meu medo do escuro nunca tinha saído daqui. Foi só um sonho bom. É por isso que eu não gosto de sonhar...


Abril 2011

Não venha destruir meus personagens, ninguém tem esse direito. Se você descobriu o modo com que eu finjo que ainda vivo não tem de contar para ninguém, não acabe com a minha arte de parecer feliz ou despreocupada algumas vezes.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Voar.

Ela se cansou dessa tristeza. Não vai mais assistir a vida passar enquanto se considera a pior das pessoas do mundo. Ela quer intensidade e felicidade, seja qual for o preço. Não se importa mais com os medos, com as frustrações, porque por mais cuidadosa que seja, eles sempre estarão aqui, então, o que ela precisa mesmo é fazer alguma coisa valer a pena.

Entrou correndo no banheiro com aquela tesoura de costura e cortou os cabelos, acho que eles eram ainda alguma coisa que valesse a pena, não importa mais, quer correria e atos impensados. Mandou 3 ou 4 pessoas a merda antes sair de casa e foi pra vida. Comprou flores. Pequenos prazeres que ela se esquecia de ter, adora flores do campo, flores, flores, como o mundo seria o mesmo sem flores?

Colou imagens bonitas por cima das paginas dos livros empoeirados da estante. Eles ficam melhores assim. Eu não ia lê-los mesmo, ao menos eles ficam ao meu feitio. Não importa muito o que eles tinham para me dizer, eu digo as coisas pra mim e por eles. Fim.

Não preciso ouvir ninguém, só a batida do meu coração dizendo para te beijar loucamente mesmo que os seus lábios não me queiram. Essa é a minha vida. Se eu esperar muito não terei o seu beijo, não é? Não quero mais beijar qualquer um não. Não to aqui pra isso. Eu to aqui para beijar por amor, não por falta. Falta eu já tenho demais sozinha, não preciso ninguém para compartilhá-la não. Deixa cada mágoa no seu canto que a gente vai vivendo bem de risos momentâneos que fazem tudo valer a pena, ou valer mais do que esses dias medíocres de estudos valem.

Eu vou me permitir rir, brincar, chorar, gritar, bater e amar. Vou amar com toda a força que quiser, sem tristezas, sem mágoas. Eu te amo e se você não me quer, o que eu poderia fazer? Morrer é pra gente que não entendeu direito o que é a vida. A vida é esse jogo de frustrações que a gente faz malabarismo e ri para não cair no drama. Eu não vou mais viver de dramas, vão a merda todos os meus dramas. Eu quero é voar!

Eu nasci.

Eu me canso, e sorriu por ter finalmente chegado ao meu limite. Eu nasci. E quando se nasce de você mesma lá para as 11:37h de uma terça feira chuvosa o que resta fazer é redescobrir todo o mundo que eu deixei esperando. Descobrir o sorriso nos olhos, os abraços amigáveis. A gestação foi dura, e de tanto me preocupar com a dor eu não notei meus dias laranjas e a brisa que o vento soprou para fazer meus cabelos sorrirem na semana passada.

A dor do parto dói funda e intensamente, mas viver é tão bom que a gente entorpece aquela dor, e intensifica a cada risada esse deslumbro que é o sol, os cabelos, as janelas altas de colégio, aquele papel branco, o giz pronto para ser usado, o meu casaco me abraçando. Eu nasci.

Deixe-se consumir.

Eu expeli você de mim, a dor dói doendo dando a impressão que não dá pé. Doente. Quem eu? Ela? A gente. A doença comeu nossos lençóis pequenos, nossas brigas inventadas, meu casos sem nenhum acaso, nossas mãos dadas, meu rosto no seu ombro, sua boca na minha testa. A praga levou embora meus olhos fechados pela paz momentânea, minha boca confusa com o que fazer, minhas mãos medrosas. A peste te levou primeiro, e doeu. Então eu deixei que ela me levasse. Não havia motivos para impedir.