quinta-feira, 25 de julho de 2013

É a terceira noite seguida. O começo de mais um ciclo aparentemente infinito de insônia e improdutividade. ‘Eu sei, estou ficando velha demais para isso, quando menos notar conseguirei dormir por 15 horas e não terei vontade de me levantar nunca mais.’ – Geralmente é o que eu consigo. Variando do cansaço quase crônico até a preguiça paralisante. Sempre. Semana após semana. A ultima vez que fui produtiva por um período maior que algumas horas? Já nem me lembro.  Minha mente está tirando o melhor de mim.

Não consigo mais dormir sozinha, nem no escuro. Como se alguma vez eu já tivesse tido algum parceiro dormindo comigo, ou um abajur que prestasse. Incrível a capacidade de me acostumar com ideias que nunca aconteceram: Alguém para abraçar durante a noite, para eu tomar meu café preto e amargo enquanto assisto dormir nessas madrugadas que as cinco da manha eu me levanto porque não há mais como dormir nem sonhar sem ser atormentada por uma infinidade de ansiedades.


Eu me levanto cedo, ando em volta da casa, me sento no sofá no escuro. Penso em desistir. Não há do  que mais me ausentar. Penso em telefonar. Não existe ninguém do outro lado para ouvir minha ansiedade. Tento escrever, e logo percebo que ficarei presa a esse outro vício para sempre. Cotidiano: Caos (bem) adequado aos meus horários.  O importante é ser produtiva, passar naquelas matérias, sair de vez em quando para beber e sorrir e beijar e aparentar êxtase e felicidade (mesmo que o desejo seja cortar os pulsos em plena avenida deserta e se ver sangrar tranquila no meio fio). Eu sou mais depressiva antes do sol nascer. Existe algo na madrugada que me incentiva ou atormenta. Algumas vezes sinto que não irei conseguir sobreviver mais uma noite. Outras tento prolonga-las infinitamente com lágrimas nos olhos sabendo que logo amanhecerá e eu terei que levantar e ir viver. E sorrir. E tomar café ruim do outro lado da cidade. Só porque isso é meu futuro. Tudo se resume a isso. Talvez tenha de ser assim, mas pra mim, de alguma forma, é ainda muito pouco. 

Perdida sobre ser.

Você é homem, não menino. E há certa vantagem nisso. Você esteve comigo e isso teve importância de uma maneira que provavelmente não concordará, tendo em vista que minha alma moça ainda não mulher superestima muito mais que a sua.

Você é homem, e esteve comigo.
E de algum modo não foi nada romântico nem bonito.
Talvez isso seja tornar-se mulher.


...


Seus toques de homem-amigo que enxerga a vida com uma simplicidade aguda e esquisita. E esses telefonemas que incentivam a fragilidade que eu não quero te mostrar já que pretendo acompanhar sua maturidade.

Você é homem, e antes disso eu só conheci meninos. E há uma paciência e simplicidade em você que não encontrei neles. E há neles uma paixão e desfreio que devem ter se perdido nessa sua alma de homem. 

E você diz que quer dormir comigo.

Eu não sei o que é isso.
Nem o que significa
Ou que eu devo sentir.

Com seu corpo de homem sobre o meu se movendo sendo tão homem e pouco menino e eu perdida sobre quem devo ser.




para C.

Incapacidade.

Você pode ser o ponto de partida da minha grande paixão dessa sexta feira fria indiferente a vida. Talvez se você segurasse meus braços e me permitisse sentir alguma coisa que não seja tão parcamente inventada.

Você poderia ser o amor do mês que vem, mas ainda falta muito pra chegarmos lá e eu provavelmente terei te esquecido como fiz com os últimos homens que apareceram por aqui e pelos quais eu cogitei me apaixonar, e beijar e amar por um bom tempo. Não há nada de errado com você, eu só não consigo me conectar a mais ninguém. Eu te escrevo juras e sonetos, te ensino mil amores,  e afinal não é nada.

Acabo dançando aquela musica eletrônica alta e confusa enquanto sinto outras mãos e outros corpos. E isso não me desagrada. Em nada. O amor que sinto por você é nada. Porque eu não amo nada. Nada além do que a minha própria mente e minhas próprias mentiras. 

A solidão do ser que é amado e não ama.

Eu beijei tua boca, eu percorri teu corpo, eu sorri o meu sorriso mais bonito e simétrico. Te escrevi cartas, sonetos, reescrevi sonhos, e pensei em nós. Desenhei bobeiras, contei dos seus olhos para todos que conhecia. Disseram que eu estava apaixonada, obcecada por suas curvas e seus cabelos.

Eu realmente estava tentando bastante.

A solidão de não sentir afeto por quem se quer amar e ser amado. De continuar acordando naquela mesma cama, olhando as pálpebras lindas e tranquilas do corpo ao lado, e não reconhecer nada além de 70, 80 quilos de carne indiferente aos meus poros.

Não faz tão mal.

Não pode.

Eu estou tentando!

E eu fecho os olhos, e imagino o amor que eu sei escrever mas não consigo sentir. E sorrio enquanto algumas lágrimas caem dos meus olhos, porque imagino que serei capaz de parar de escrever algum dia, que finalmente sentirei que a minha loucura achou um abrigo, que minhas mãos encontraram alguém para amar, que meus olhos nunca mais terão essa expressão triste que meus alvos de amor me descreveram. Eu queria conseguir amá-los. E, eu finalmente encontraria prazer em ser amada por outro corpo. E estarei satisfeita e conseguirei amar o outro com minhas entranhas e sexo. E serei capaz de nunca mais me entregar enquanto penso nas tarefas da semana.


Não quero te colocar na minha extensa lista de afazeres-bem-feitos-com-sorriso-no-rosto-e-indiferença. Eu quero parar de atuar, eu quero ser real para mim. Eu não posso mais viver entregue as minhas palavras que transmitem quase tudo menos uma relação real. Eu quero ser capaz de amar (e ser amada).

Vem!

Eu usei esse meu vestido de verão, mesmo que seja quase inverno, só porque você disse que gostava das pintinhas dos meus ombros. Ninguém nunca havia notado elas. Ninguém nunca tinha olhado pra mim.

Você fala fala fala fala e não para de falar dá minha boca vermelha, dos meus olhos traiçoeiros, das minhas mãos ambíguas. Tudo muito metafórico e confuso, mas, tanto faz, teu abraço me diz o que é preciso, o que eu preciso! Eu queria poder viver enterrada entre teus braços e teu cheiro de homem maduro e indiferente ao mundo. Sentir teus pelos e teus poros e teu suor. esses olhos verdebrilhante de amante amado.

Eu quero te segurar com toda a força dos meus dedos e penetrar tua pele, e encher teu sangue de mim. Da minha matéria e dos meus medos. Te misturar ao meu perfume, juntar meu tom claro ao teu. E continuar olhando esses seus olhos cheio de vida e de certezas.

Vem me amar, vem me amar com meus medos e meus anseios, vem me amar com toda a loucura e todos aqueles comprimidos da semana passada que virou o segredo que temos de repetir. Porque a minha loucura achou um ninho e meus anseios arredaram o pé.

É, vem. Vem aceitar meu amor desnorteado, deixa eu fazer o curativo nesse seu joelho, mesmo que sem necessidade.Deixa eu te cuidar, deixa eu levar embora a tua insônia, ou, deixa que ela me pegue também. Vem me dar um abraço forte. Vem. Só vem. Eu levo meu isqueiro e você traz nossos cigarros.


Vem! 

Cotidiano vadio.

Seria tudo errado ou Toda Errada? Talvez pra variar não tenha sido tanto fez. E de tanta coisa que acontece quando os nossos olhos se perdem em meio as luzes que brilham no centro da cidade em noite de festa vadia, tudo se fez.
E nada tanto fez.

O não virou palavra de ordem aos ouvidos mimados que raramente respeitam limites ou imposições. E o descaso que talvez fosse bom senso, ou até mesmo curiosidade, que falta em boa parte de nós, chegou.

E ligou na segunda feira que é dia de branco, de varrer o caos do fim de semana para de baixo do tapete. Dia de levantar cedo e sorrir pro mundo que ri da gente e pegar a condução triste e lotada de gente quase sem alma. Andar aquele tanto e ver o mar imundo que cerca a terra e ficar a deriva até chegar a algum lugar imposto que de fato não é lugar nenhum.


E o mundo é isso

A surpresa

E esses telefonemas que rompem a mente
E eu minto
E ele mente
E talvez ninguém esteja errado
Porque a vida é essa, e talvez tudo seja mesmo errado
Mas
Você
Tenta.

Varal.

Ânsia
Anseio
                               Ânsia    
                                               Antagonista
De mim mesma
Anjo
Fraco
Cansado de preservar meu conceito profano de pureza.
Mergulhada no mundo, mas perseverante na alma. E no espirito amedrontado, de todos, de ânsia. De mim.
Estendida, estilhaçada, secando no varal. Em dia chuvoso. Imunda dos outros.

Sozinha de mim.

Alma sereia

Minha alma sereia:  Linda e assassina. Buscando o afeto impossível de um ser terrestre enquanto se é aquática. Mata-os afogados em ânsia e paixão. Sereia. Seus cabelos e rosto, e busto, tão conhecidos e aceitos por seus amantes. Vente estéril. Não consegue viver em terra. Sufoca. Egoísta. Canta! Chama para si os homens desavisados de sua maldade.

Sofredora:
Mata a todos que ama e vão ao seu encontro.

Rejeitada:
Os que sobrevivem só o fazem por estarem surdos para o seu clamor triste e belo.

A eterna solidão sereia de não pertencer a nenhum mundo e viver no limiar de ambos. De não reconhecer semelhança nem lar em lugar algum. Deseja o impossível, nasceu danificada, o híbrido errôneo nascido vivo e descartado por Deus.  Refugia-se no mar, deseja a terra.

Dissimulada:
Deseja ser notada. A solidão eterna é insuportável.

Enche-se de prazer.
Tenta amar.
Assassina.

Solitária e infinita.