Eu realmente estava tentando bastante.
A solidão de não sentir afeto por quem se quer amar e ser
amado. De continuar acordando naquela mesma cama, olhando as pálpebras lindas e
tranquilas do corpo ao lado, e não reconhecer nada além de 70, 80 quilos de
carne indiferente aos meus poros.
Não faz tão mal.
Não pode.
Eu estou tentando!
E eu fecho os olhos,
e imagino o amor que eu sei escrever mas não consigo sentir. E sorrio enquanto
algumas lágrimas caem dos meus olhos, porque imagino que serei capaz de parar
de escrever algum dia, que finalmente sentirei que a minha loucura achou um
abrigo, que minhas mãos encontraram alguém para amar, que meus olhos nunca mais
terão essa expressão triste que meus alvos de amor me descreveram. Eu queria
conseguir amá-los. E, eu finalmente encontraria prazer em ser amada por outro
corpo. E estarei satisfeita e conseguirei amar o outro com minhas entranhas e
sexo. E serei capaz de nunca mais me entregar enquanto penso nas tarefas da
semana.
Não quero te colocar na minha extensa lista de
afazeres-bem-feitos-com-sorriso-no-rosto-e-indiferença. Eu quero parar de
atuar, eu quero ser real para mim. Eu não posso mais viver entregue as minhas
palavras que transmitem quase tudo menos uma relação real. Eu quero ser capaz de
amar (e ser amada).

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