quinta-feira, 25 de julho de 2013

A solidão do ser que é amado e não ama.

Eu beijei tua boca, eu percorri teu corpo, eu sorri o meu sorriso mais bonito e simétrico. Te escrevi cartas, sonetos, reescrevi sonhos, e pensei em nós. Desenhei bobeiras, contei dos seus olhos para todos que conhecia. Disseram que eu estava apaixonada, obcecada por suas curvas e seus cabelos.

Eu realmente estava tentando bastante.

A solidão de não sentir afeto por quem se quer amar e ser amado. De continuar acordando naquela mesma cama, olhando as pálpebras lindas e tranquilas do corpo ao lado, e não reconhecer nada além de 70, 80 quilos de carne indiferente aos meus poros.

Não faz tão mal.

Não pode.

Eu estou tentando!

E eu fecho os olhos, e imagino o amor que eu sei escrever mas não consigo sentir. E sorrio enquanto algumas lágrimas caem dos meus olhos, porque imagino que serei capaz de parar de escrever algum dia, que finalmente sentirei que a minha loucura achou um abrigo, que minhas mãos encontraram alguém para amar, que meus olhos nunca mais terão essa expressão triste que meus alvos de amor me descreveram. Eu queria conseguir amá-los. E, eu finalmente encontraria prazer em ser amada por outro corpo. E estarei satisfeita e conseguirei amar o outro com minhas entranhas e sexo. E serei capaz de nunca mais me entregar enquanto penso nas tarefas da semana.


Não quero te colocar na minha extensa lista de afazeres-bem-feitos-com-sorriso-no-rosto-e-indiferença. Eu quero parar de atuar, eu quero ser real para mim. Eu não posso mais viver entregue as minhas palavras que transmitem quase tudo menos uma relação real. Eu quero ser capaz de amar (e ser amada).

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