Eu usei esse meu vestido de verão, mesmo que seja quase
inverno, só porque você disse que gostava das pintinhas dos meus ombros.
Ninguém nunca havia notado elas. Ninguém nunca tinha olhado pra mim.
Você fala fala fala fala e não para de falar dá minha boca
vermelha, dos meus olhos traiçoeiros, das minhas mãos ambíguas. Tudo muito
metafórico e confuso, mas, tanto faz, teu abraço me diz o que é preciso, o que
eu preciso! Eu queria poder viver enterrada entre teus braços e teu cheiro de
homem maduro e indiferente ao mundo. Sentir teus pelos e teus poros e teu suor.
esses olhos verdebrilhante de amante amado.
Eu quero te segurar
com toda a força dos meus dedos e penetrar tua pele, e encher teu sangue de
mim. Da minha matéria e dos meus medos. Te misturar ao meu perfume, juntar meu
tom claro ao teu. E continuar olhando esses seus olhos cheio de vida e de
certezas.
Vem me amar, vem me amar com meus medos e meus anseios, vem
me amar com toda a loucura e todos aqueles comprimidos da semana passada que
virou o segredo que temos de repetir. Porque a minha loucura achou um ninho e
meus anseios arredaram o pé.
É, vem. Vem aceitar meu amor desnorteado, deixa eu fazer o
curativo nesse seu joelho, mesmo que sem necessidade.Deixa eu te cuidar, deixa
eu levar embora a tua insônia, ou, deixa que ela me pegue também. Vem me dar um
abraço forte. Vem. Só vem. Eu levo meu isqueiro e você traz nossos cigarros.
Vem!

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