quinta-feira, 25 de agosto de 2011

tentativa de explicação (ou pedido de desculpa)

Sim, você tem razão, mesmo quando eu dizia não e não e confrontava. Você tem razão. Eu aceitei os padrões, eu não sou mais uma alma livre em busca de paz azul, eu sou um espírito abatido que quer perder as asas e começar a usar meus pés desajeitados, assim como todo o mundo.

Você tem razão, eu cedo fácil, eu uso meu corpo como escudo achando que a minha alma poderá ser livre algum dia. É verdade. Eu disse verdades duras, aquilo soou como barato, a venda não me pareceu algo detestável. O valor destituído não me faz buscar algum tipo de preservação.

Eu vendo o meu corpo a cada esquina querendo ser consumida por qualquer boca imunda que me pague com algum afeto inventado. Não me venha com moralismos obtusos que eu faço questão de não ouvir, meu corpo é barato. Meu corpo é barato. Meu corpo quando se deita ao lado do seu ou ao de qualquer outro é barato. Talvez eu goste disso.

De sentir alivio quando alguma saliva estranha que eu tenho alergia percorre meu corpo carente e vazio de sentido e tenta forçadamente gerar algum tipo de prazer na minha alma frigida. Melhor assim.

Você não entende, nem quer. Não pretendo explicar coisa alguma, minha alma laranja está acabada em alguma praia deserta que eu só sonhei, como o meu sonho onde os peixes me consumiam quando eu pulava daquele barco que eu achava que era a minha casa.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Um dia comum.

Eu coloquei meus sapatos mais bonitos, não que alguém ache isso deles, minha mãe disse que estão furados, não dá mais para usar, mas quem se importa. Minha mãe é genial, minha mãe é idiotinha, minha mãe perdeu o bom senso quando parou de ver que o sol sorria.

Fazia 4 dias que eu não saia de casa, eu tinha esquecido como é bom sentir o sol aquecer a minha pele desbotada. Meus pés caminhavam tranqüilos e meio embaralhados pelo cimento, meus pés queriam mar.

Continuei andando, peguei aquele mesmo ônibus cinza, queria ouvir musica, fiquei cantarolando alguma coisa que eu só sabia o começo. A velha ao meu lado olhou pra mim, aquele seu esmalte já gasto, aquelas mãos firmes e grandes estavam me parecendo tão sozinhas de companhia. Voltei a olhar para a janela, queria que eu fizesse o que? A confortasse? Meu conforto iria durar mais 3 pontos. É conforto de menos para uma talvez expectativas demais. Talvez uma pontinha de esperança renascesse no desejo de não estar mais sozinha, de ver seus netos mais vezes, de receber telefonemas de seus filhos em algum dia além das datas comemorativas. Seus passarinhos e plantas não eram de todo mal, talvez eles que ainda a fizesse ter forças para estar naquele ônibus, para comprar comida, para pintar da mesma velha cor as unhas cansadas.

Talvez ela só não quisesse parecer tão abatida.


Era eu ou ela que queria isso? Já nem sei.

A minha mudança muda alguma coisa?

Colocou seu vestido florido e sua sapatilha encardida, não deveria ser uma boa postura andar assim na rua, riu de si mesma e saiu. Andou observando cada coisa: o cachorro do outro lado da rua, o velho catador de latas tão entretido nas suas conversas imaginárias, os garotos na porta do mercado fazendo absolutamente nada e causando desconforto para os que passavam. A mulher apressada cheia de bolsas e sacolas bonitas, o homem de mochila e fones de ouvido, algumas crianças andando olhando para o chão. Era mais um dia típico. Ou talvez não, ela estava de vestido. Será que um vestido muda alguma coisa? Muda a solidão dos velhinhos da praça? Muda a presunção das mulheres de meia idade que estão abundantemente maquiadas? O que as coisas que a gente faz mudam no final?

Meu sonho

Eu sonhei com esse dia, eu sonhei que a gente ia ser feliz, eu sonhei que nada ia atrapalhar a paz do mundo, ou a paz do meu mundo de 17 pessoas genialmente adoráveis. Eu recriei nosso templo de paz à custa das minhas olheiras e das minhas mãos de unhas roídas, eu criei um universo só meu onde nós podemos dançar sem saber, rir sem magoar, brincar sem ofender. Eu queria que mais gente fizesse parte do meu mundo, eu queria que o mundo todo fosse o meu mundo, eu queria que você entendesse o que eu digo.

sábado, 2 de julho de 2011

vagante.

Eu não pertenço, permaneço com essa sensação de estar sempre em transição de um lugar para outro, e não ser de lugar algum. Isso não é nenhuma novidade, nem um grande motivo para eu escrever ,o esquisito foi não pertencer nos seus braços. E continuar tentando. Entre movimentos de quadris, entre minha mente azul perambulando os lençóis, envolvida por suas mãos sonsas. Eu não pertenço com você, a você, mesmo tentando.

Eu tentei com força. Doeu. Não acreditei que doesse tanto. Não quis mais tentar. Talvez eu tenha que ser só uma estrangeira em seus braços, eu sou uma estranha dentro de qualquer abraço.

domingo, 26 de junho de 2011

Banheiro - quarta parte.

Eu fui fazer xixi e tentei me acalmar sentada olhando pros meus pés, mas tinha aquela goteira maldita do chuveiro marcando sempre o mesmo tempo e eu deveria ter fechado, mas eu não fiz, eu ia querer abrir o chuveiro e deixar toda aquela água fria cair em cima de mim e da minha roupa pra ver se carregava toda essa coisa embolada que eu to sentindo como se faltasse ar dentro do meu pulmão. Acho que é mais como se faltasse a sua paz nos meus dias, porque a minha mente é muito confusa e você sabe disso, você se apaixonou por esse ritmo de temperamento forte que não deixa muita gente se aproximar e que tem manias feias de cortar coisas e amassar papel.

Eu não sei mais de nada, eu não tenho mais meus princípios nem minhas certeza, eu só vivo para escrever como eu não sei o que sentir ou fazer e estabeleço horários para não me perder e acabar saindo por ai andando pela rua, e esperando que alguma coisa diferente aconteça, que um carro passe e sorria, que eu sente na calçada como eu já fiz e espere alguma boa noticia vinda de algum conto infantil que eu li na ultima semana enquanto me escondia embaixo da minha escrivaninha porque cismei que ali era o lugar mais seguro do mundo, já que não existe mais seus braços preu me esconder.

Anjo é um nome bobo. - terceira parte.

Você foi o anjo da minha vida, por mais brega que a palavra anjo signifique se tratando de relacionamentos. Você me chamou, acolheu, amor. E quando eu disse toda a verdade, tudo que eu nunca mais disse pra ninguém, quando eu mostrei todo o pior de mim você me abraçou e chorou, chorou lagrimas pesadas. Se conteve, e cuidou de tudo por mim. Me protegeu de mim mesma, da minha tendência louca a auto destruição. Falou não pras minhas pirraças tristes e me fez crescer. Como não me sentir grata? Como entender que ninguém mais vai me proteger de mim mesma? E quando meus ombros voltarem a aparecer machucados, quem vai brigar comigo e me fazer entender que assim não dá pé? E quando eu fizer de novo aquela besteira que você me fez jurar nunca fazer? Eu sei que eu jurei, mas você jurou cuidar de mim, porque eu não sei fazer sozinha, e isso é medíocre, porque eu deveria ser forte e me virar sozinha. Mas todo mundo sabe que tem dias que ou a gente é cuidado ou a gente se descuida mesmo.


Hoje é um dia assim. Infelizmente.

Silêncio doído - segunda parte.

Eu ando calada carregando a dor da partida nas alças da minha mochila desbotada que você carregava. Eu chego no meu quarto, e tem você nas paredes, no chão, na tela do computador, nas minhas musicas, na minha forma de falar. É como se eu não tivesse aceitado todo esse fim. Eu não aceito mesmo não. Eu compartilhei com você tanta coisa, e sei que foi recíproco. Mas agora parece tão frio, meus pés estão gelados e meu nariz entupido. Eu to me balançando na cadeira como se isso afastasse toda a minha tristeza, mas não afasta. Só me deixa enjoada de ter deixado tudo chegar nesse estado. Eu abandonada num quarto frio esperando que alguém me salve. Esse alguém é você. E eu sei que meu celular não vai tocar magicamente como você fazia.

Engano. - Primeira parte.

Talvez mais cedo eu estivesse achando que amasse outra pessoa, mas, nessa noite de frio, por mais que eu negue, eu ainda te amo. Eu te amo lembrando cada palhaçada. De cada briga por lençol. Aquele filme que a gente não sabe o final por que estávamos muito ocupados entre mãos. Daquele beijo que tinha gosto de bala de mente e granola. Gosto de outono. Você foi meu maior e melhor outono. Mas se acabou.

Eu poderia começar me culpando pelo fim , mas não. Deixe que cada um carregue a dor que tem por esse fim de maneira solitária. Ninguém precisa saber da nossa parte má que levou a isso tudo, só a gente. É o nosso eterno segredo.

(Vou dividir esse grande texto em vários pequenos. Primeira parte)

Eu sou assim.

Estou abraçando o meu horror com força. Por medo de viver sem ele, por medo de não ter medo da vida. Medo de não ter medo. Essa sou eu. Me acorrentando a cada esquina a qualquer complexo que não me permita ir alem do 6,5. Do quase aceitável, do minimamente bom pra gente não cair no drama, e continuar, mesmo assim, se achando incapaz para tudo. Essa sou eu, meu esconderijo de incapacidades. Meus tormentos nas pulseirinhas, nos unicórnios, na minha repentina disposição. Essa é a pior de todas. EU NÃO TENHO DISPOSIÇÃO. Eu não gosto de fazer nada. E eu ainda levando os braços, sorrio, falo alguma frase sem sentido e completamente caricaturada. Não quero enganar ninguém, é mesmo uma encenação interior, pra ver se alguma coisa muda, se essas minhas mentirinhas se tornam verdades lindas e aconchegantes. (Eu ainda tenho esses sonhos de criança).


Desculpa..

sábado, 21 de maio de 2011

Pelo menos nessa madrugada...

Toda aquela conversa e essa sensação de que meu maior medo fosse acreditar em alguma felicidade que pode não ser certa. É que dá medo, eu sou medrosa demais para me deixar levar por uma sensação que tire de alguma forma meus pés do chão, mesmo que voar seja o meu maior desejo.

Mas essa noite é diferente, nessa madrugada alguém me convenceu que vale a pena se permitir, acreditar, mesmo que esse sonho bom só dure alguns momentos, por isso, nessa noite, eu dedico meus últimos momentos a permissão. Eu permito imaginar alguns sonhos bons, e sono, por favor, demore a me buscar essa noite, mais do que habitualmente demora. Porque nessa madrugada, somente nessa, eu me permito amar, amar com todos os carinhos, todos os pescoços e feridas e sorrisos. Boa noite, realidade.


Abril 2011

Medo do escuro.

Minha mente anda me pregando peças. Acordei e alguma coisa disse dentro de mim que estava tudo certo, e eu sorri no escuro, e deitei minha cabeça no travesseiro, já pronta para realmente descansar. Até constatar que tinha sido tudo um sonho. Pude voltar a me encolher entre minhas cobertas. O meu medo do escuro nunca tinha saído daqui. Foi só um sonho bom. É por isso que eu não gosto de sonhar...


Abril 2011

Não venha destruir meus personagens, ninguém tem esse direito. Se você descobriu o modo com que eu finjo que ainda vivo não tem de contar para ninguém, não acabe com a minha arte de parecer feliz ou despreocupada algumas vezes.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Voar.

Ela se cansou dessa tristeza. Não vai mais assistir a vida passar enquanto se considera a pior das pessoas do mundo. Ela quer intensidade e felicidade, seja qual for o preço. Não se importa mais com os medos, com as frustrações, porque por mais cuidadosa que seja, eles sempre estarão aqui, então, o que ela precisa mesmo é fazer alguma coisa valer a pena.

Entrou correndo no banheiro com aquela tesoura de costura e cortou os cabelos, acho que eles eram ainda alguma coisa que valesse a pena, não importa mais, quer correria e atos impensados. Mandou 3 ou 4 pessoas a merda antes sair de casa e foi pra vida. Comprou flores. Pequenos prazeres que ela se esquecia de ter, adora flores do campo, flores, flores, como o mundo seria o mesmo sem flores?

Colou imagens bonitas por cima das paginas dos livros empoeirados da estante. Eles ficam melhores assim. Eu não ia lê-los mesmo, ao menos eles ficam ao meu feitio. Não importa muito o que eles tinham para me dizer, eu digo as coisas pra mim e por eles. Fim.

Não preciso ouvir ninguém, só a batida do meu coração dizendo para te beijar loucamente mesmo que os seus lábios não me queiram. Essa é a minha vida. Se eu esperar muito não terei o seu beijo, não é? Não quero mais beijar qualquer um não. Não to aqui pra isso. Eu to aqui para beijar por amor, não por falta. Falta eu já tenho demais sozinha, não preciso ninguém para compartilhá-la não. Deixa cada mágoa no seu canto que a gente vai vivendo bem de risos momentâneos que fazem tudo valer a pena, ou valer mais do que esses dias medíocres de estudos valem.

Eu vou me permitir rir, brincar, chorar, gritar, bater e amar. Vou amar com toda a força que quiser, sem tristezas, sem mágoas. Eu te amo e se você não me quer, o que eu poderia fazer? Morrer é pra gente que não entendeu direito o que é a vida. A vida é esse jogo de frustrações que a gente faz malabarismo e ri para não cair no drama. Eu não vou mais viver de dramas, vão a merda todos os meus dramas. Eu quero é voar!

Eu nasci.

Eu me canso, e sorriu por ter finalmente chegado ao meu limite. Eu nasci. E quando se nasce de você mesma lá para as 11:37h de uma terça feira chuvosa o que resta fazer é redescobrir todo o mundo que eu deixei esperando. Descobrir o sorriso nos olhos, os abraços amigáveis. A gestação foi dura, e de tanto me preocupar com a dor eu não notei meus dias laranjas e a brisa que o vento soprou para fazer meus cabelos sorrirem na semana passada.

A dor do parto dói funda e intensamente, mas viver é tão bom que a gente entorpece aquela dor, e intensifica a cada risada esse deslumbro que é o sol, os cabelos, as janelas altas de colégio, aquele papel branco, o giz pronto para ser usado, o meu casaco me abraçando. Eu nasci.

Deixe-se consumir.

Eu expeli você de mim, a dor dói doendo dando a impressão que não dá pé. Doente. Quem eu? Ela? A gente. A doença comeu nossos lençóis pequenos, nossas brigas inventadas, meu casos sem nenhum acaso, nossas mãos dadas, meu rosto no seu ombro, sua boca na minha testa. A praga levou embora meus olhos fechados pela paz momentânea, minha boca confusa com o que fazer, minhas mãos medrosas. A peste te levou primeiro, e doeu. Então eu deixei que ela me levasse. Não havia motivos para impedir.


segunda-feira, 25 de abril de 2011

Aquela ligação.

....
....
....

“Sua chamada está sendo encaminhada para a..”

Porque me incomoda tanto essa mesma espera? Essa voz feminina programada dizendo que minha mensagem final nunca chegará aos seus ouvidos? Acho que eu deveria ser menos piegas e me revoltar contra essas chamadas tristes, mas hoje não. Talvez amanha, ou algum dia nessa semana que eu acorde com mais animo.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Rico e sóbrio, como um templo grego.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Seu corpo parece um templo de caos cercado de paz borboleta.



..me deixa ser uma dessas borboletas..

domingo, 10 de abril de 2011

Mãos sujas.

Minha cabeça dói, minhas mãos estão sujas com tanta água e tanto ar, e tanta sede de vida, e tanta falta de tudo, e sobra tanto espaço entre minhas mãos pra se encontrar.

(...)

Eu senti um nojo, uma vontade dentro de nunca mais deixar entrar nada em mim, de me deixar morrer aqui sozinha, de ficar fritando, fritando, a minha cabeça ta fritando, e deixando tudo quadrado, eu to sendo tão quadrada..

Eu queria rir, mas to chorando.

A minha cabeça parou de doer, acho que ela desistiu de me fazer sofrer e achou melhor esperar por amanhã.

Eu chorei relendo uns textos que eu não deveria ter escrito porque eu sempre quis escrever coisas bonitas e as coisas que eu acho bonitas são tristes e eu escrevo sobre mim, mas a minha vida não me parece bonita, só triste.

Eu queria viver mais, na verdade pdoeria ser até menos desde que fosse melhor

(...)

Eu tive um sonho muito ruim e eu me debati debati debati até que caí, e continuei caindo, caindo, caindo, e cheguei no chão, e minhas mãos estavam sujas, e era sangue, tinha sangue, não sei se era meu, se era seu, era sangue. Cheirava forte e tinha cheiro de mar, e o mar, eu não vejo o mar a algum tempo, o mar me lembra a vida que eu poderia levar se eu desistisse de sonhar tanto antes de dormir, se eu abrisse mão das letras que não param de sair do meu teclado do meu cérebro, do meu conto de fadas que tem mais bruxas que unicórnios.

entorpecido.

Seus pés gelados no chão gelado gelava a alma entorpecida tentando encaixar qualquer resto de esperança naquele corpo quase sem vida que vive vivendo no piloto automático dos sorrisos forçados, dos barulhos condicionados, da mente cansada.

Cansa chorar um choro seco que dói e trava não saí só permanece consumindo e girando minha cabeça que não consegue colocar tudo no lugar.

terça-feira, 29 de março de 2011

A morte do verde dos olhos (que eram castanhos).

O verde dos seus olhos castanhos vazou por aquele machucado que eu fiz quando te acertei bem no rosto sem querer (só querendo) tentando matar a (minha) dor em você. Sujei meu piso branco, escorreu por todo lado. Manchou meus cadernos e parou embaixo da cama.

29/03/2011

sábado, 19 de março de 2011

Desencontro interior.

O primeiro sorriu, me puxou, beijou. Acho que quase nenhum beijo é de todo mal. Me senti bonita, alguma vez me senti mais confiante, eu queria me sentir bem. Ser feliz pela ignorância, ser cobiçada não faz mal. Não se aceitar faz muito mal, eu já me faço mal todos os dias.

terça-feira, 15 de março de 2011

Menino encantador. (Sinto sua falta, L.)

(O primeiro parágrafo faltou coragem de mostrar..)


Quem me dera, o menino encantador me encantasse com suas contas. Eu já me encante por elas. O lupe duplo foi nosso primeiro encontro. A discussão sobre ponto de fuga oficializou o namoro. Eu acho que você ainda me ama, eu também sinto isso. Mas tá separado, cada um tá amando de um lado. Lembra quando era junto? Sabe, abraçado? Correndo pros meus pais não verem. E aquele esporro, aquele gemido preso que eu deixava escapar. Cadê toda a minha vontade de pele, de osso, de língua, de mão. Ela sumiu, o encanto acabou, eu deixei você partir, eu fiz você partir. Eu sempre parto as pessoas, Dói, dor, menino, amor, criança grande, meu melhor amigo, meu abraço, meu terceiro dente bonitinho.

Você ainda me quer? Eu te quero, eu não te quero, eu te quero quando estou sozinha, eu sou egoísta e mereço morrer sozinha. Sou inteligente, não vou morrer sozinha. Apesar que ninguém gosta de garotas feias, Mas você sempre me chamou de linda. Você mentiu? A gente nunca mentia. Eu menti quando te deixei partir, eu falei coisas melhores para não te ferir. Eu sou melhor ou pior por isso? Eu menti, eu sou uma pessoa má. Eu nunca mentiria para o meu grande amor. Você não é mais meu grande amor? Quem é você. Eu te chamava de amor. Não sei te chamar por outro nome. Eu preciso saber.

(Você sempre será meu menino encantador.)

Fevereiro 2011

Para P.

Insiste, descarrega, revolta, volta, acaricia, dorme, acorda, triste, mata, chora, consola, ama, volta, chora, chora, chora. Essa menina não se cansa de chorar, a cor vermelha sabe disso, e grita, e canta, e chora. Aquelas mãos sabem consolar. Ah sorriso triste, porque insiste tanto em continuar? E esse olhar cabisbaixo, não vai passar? Quase ninguém o nota, mas ele ainda está lá. Isso não pode continuar, mas se ninguém impedir, como parar? A vida sussurra coisas tristes para pessoas que vão ser grandes, a gente acredita nessa tristeza toda. Ninguém pode ser triste assim, as pessoas têm que se amar mais, ser feliz. Não chore, olhos castanhos, porque eu vejo seus olhos azuis.

Fevereiro 2011

Menina-árvore.

A garota-árvore era linda, toda a sua existência brilhava naquela pele alva de menina moleca, nas mãos pequenas e suaves, nas pernas ágeis de menino. Naquele sorriso que tinha os dois sexos embutidos. Seus olhos mudavam de cor com tanta facilidade, poderia olhar para eles durante toda a tarde; aquele cinza misterioso, aquele mesclado furtivo, aquele verde forte e imponente.

Sua boca tinha gosto de terra e planta, era bom. A boca não servia para falar, mas para amar. E a simplicidade que fazia aquilo me deixava com inveja. Beijava conhecidos pelo simples prazer de amá-los pelo que eram. Não era eterno, não era difícil. Era livre e amoroso, como todos os beijos deveriam ser. Eu queria beijá-la mais uma vez.

13/03/2011