A garota-árvore era linda, toda a sua existência brilhava naquela pele alva de menina moleca, nas mãos pequenas e suaves, nas pernas ágeis de menino. Naquele sorriso que tinha os dois sexos embutidos. Seus olhos mudavam de cor com tanta facilidade, poderia olhar para eles durante toda a tarde; aquele cinza misterioso, aquele mesclado furtivo, aquele verde forte e imponente.
Sua boca tinha gosto de terra e planta, era bom. A boca não servia para falar, mas para amar. E a simplicidade que fazia aquilo me deixava com inveja. Beijava conhecidos pelo simples prazer de amá-los pelo que eram. Não era eterno, não era difícil. Era livre e amoroso, como todos os beijos deveriam ser. Eu queria beijá-la mais uma vez.
13/03/2011

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