-Pare de culpar as pessoas pelos seus problemas! - Repetia em frente ao espelho a mesma frase inúmeras vezes. Era uma dessas madrugadas frias que a maior parte das pessoas já está bem confortável em seus edredons, mas não, ela tinha que estar no banheiro. Sempre ia pra lá quando sentia que todo o resto da casa a sufocava, tinha vontade de gritar, mas não podia.
Era incrível o efeito bola de neve que ela causava aos seus problemas, sempre foi assim desde criança. Não se contentava em esbarrar num copo, tinha que no momento da agitação tentando consertar as coisas quebrar a louça inteira. E como se não bastasse de atos impensados ela sempre acabava gritando com alguém, soltando palavras agressivas, magoando aquela pessoa que tinha dito oi.
-Fiz de novo, fiz de novo! – falava para si mesma enquanto tentava tirar o peso por sempre errar de suas costas. Foi sem sucesso. Era algo de sua natureza talvez, sempre magoar quem estava próximo, ela não quer mais ser próxima para não fazer isso. Ou pelo menos não ficar próximo, sabe, gostar de longe, fazer carinho com o pensamento.
Era uma mania horrível aquela. Toda vez que queria um carinho ou cafuné, por simples carência ou tristeza daquelas que aparecem as vezes quando menos se espera, acontecia. Antes de conseguir se fazer entender que precisava de consolo soltava várias palavras más e duras. Nunca quisera tanto ficar calada como naquelas horas.
E ia de mão em mão querendo um afago, mas quando chegavam perto ela parecia morder. Ela odeia morder quem chega pra fazer carinho, mesmo assim na hora faz, porém se arrepende. Era exatamente isso que estava acontecendo essa noite, mais uma vez. Estava arrependida por ter sido tudo que nunca gostara. Uma péssima ouvinte, alguém que nunca soube fazer escolhas e mesmo querendo a todo custo ser determinada vivia andando em cima do muro. Realmente, um esboço mal feito do que realmente sonhou ser um dia.
domingo, 28 de dezembro de 2008
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Só por hoje.
Estou cansada demais para formular qualquer coisa elaborada ou mais uma das minhas idéias mirabolantes. Desisti de ter alguma teoria concreta, pelo menos por hoje. Abro mão dos meus pensamentos radicais e meus conceitos fixos. Sem idéias, assim que eu quero permanecer agora. Sem nada que martele na minha mente a mesma pergunta sem resposta, o mesmo ponto de interrogação que sempre ronda por aqui nas horas vagas.
Ouvir qualquer musica que não signifique nada e tentar prestar atenção nas linhas do teto. Me dedicar a pintar uma folha em branco da mesma cor, por inteiro, até não restar nenhum espaço vazio. Procurar me focar em absolutamente nada e ocupar meu tempo, realmente é uma tarefa árdua fugir dos seus próprios pensamentos. Não quero formular nada, só por hoje.
Ouvir qualquer musica que não signifique nada e tentar prestar atenção nas linhas do teto. Me dedicar a pintar uma folha em branco da mesma cor, por inteiro, até não restar nenhum espaço vazio. Procurar me focar em absolutamente nada e ocupar meu tempo, realmente é uma tarefa árdua fugir dos seus próprios pensamentos. Não quero formular nada, só por hoje.
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
O filme.
E se eu não posso te ter aqui ao meu lado, terei-te guardado dentro de minhas lembranças. Como um filme nunca antes visto pelo público, só por seu diretor. Ele o repassa várias e várias vezes, com o propósito de que fique perfeito, que fique tão perfeito que se confunda com o que é real. E com o tempo, vem o aprimoramento, a dedicação, e quando se vê, o diretor realmente acredita naquela farsa. Realmente a vive, seu oxigênio vem daquilo e por sua imaginação que está vivo. 21/06/08
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Um parágrafo solto que significa muito.
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Um parágrafo solto que significa muito.
domingo, 23 de novembro de 2008
Boneca de retalhos. (reescrito)
De primeiro era perfeita, sem marcas ou arranhões, como um brinquedo novo. O tempo foi passando, e assim ela foi ganhando remendos. Hoje traz na alma e no coração marcas que as pessoas foram deixando pelo caminho. Por vezes seu sorriso descostura, os botões de seus olhos caem, mas sempre voltam pro lugar. Sempre tem alguém pra vir costurar.
Mas nem sempre foi assim, havia uma época que nada era remendado ou gasto. Começou com um alinhavo ali, um acertinho acolá e quando se viu já estava irreconhecível. Não parecia com o que era, tinha remendos, retalhos, marcas. Era outra, uma verdadeira boneca de retalhos, feita mais pelas pessoas que passavam do que pelo que originalmente era.
Cada pessoa que ia passando deixava um pedaço. Dava um ponto, um remendo, deixava um traço. E ela vai assim vivendo dos retalhos diários, das costuras fora do lugar, dos bordados fora de hora. E por mais que se pareçam vistos de longe nenhum retalho ou ponto é igual, nem no formando muito menos no tamanho. Uns são bem coloridos, outros já mais apagadinhos e têm aqueles, que por mais que se costure ainda tem um mau acabamento, um ponto entreaberto.
Por mais que tente esconder há um lugar na boneca que vive cheio de remendos e ali é visível faltar um pedaço de pano, é bem no meio do peito, no coração. Lá a muito não aparece um retalho que encaixe, muito menos um ponto que não desfaça com um leve movimento. Daqui a pouco o tecido dali rasga de novo e se ganha mais um remendo pra sua coleção. Já não se sabe ao certo quantos têm, e muito menos quantos mais virão.
Ela está cansada de remendos, cansada de tantas marcas ou retalhos que não encaixam. Ela quer um certo, um que fique bem, que a complete. Mas já não procura, não sabe aonde irá achá-lo só sabe que até agora nenhum lhe serviu. Uns porque a cor não combinava, outros por simplesmente não terem o formato certo. E hoje vive assim, tentando achar um retalho que sirva, talvez por não querer mais mostrar todos aqueles remendos...
Mas nem sempre foi assim, havia uma época que nada era remendado ou gasto. Começou com um alinhavo ali, um acertinho acolá e quando se viu já estava irreconhecível. Não parecia com o que era, tinha remendos, retalhos, marcas. Era outra, uma verdadeira boneca de retalhos, feita mais pelas pessoas que passavam do que pelo que originalmente era.
Cada pessoa que ia passando deixava um pedaço. Dava um ponto, um remendo, deixava um traço. E ela vai assim vivendo dos retalhos diários, das costuras fora do lugar, dos bordados fora de hora. E por mais que se pareçam vistos de longe nenhum retalho ou ponto é igual, nem no formando muito menos no tamanho. Uns são bem coloridos, outros já mais apagadinhos e têm aqueles, que por mais que se costure ainda tem um mau acabamento, um ponto entreaberto.
Por mais que tente esconder há um lugar na boneca que vive cheio de remendos e ali é visível faltar um pedaço de pano, é bem no meio do peito, no coração. Lá a muito não aparece um retalho que encaixe, muito menos um ponto que não desfaça com um leve movimento. Daqui a pouco o tecido dali rasga de novo e se ganha mais um remendo pra sua coleção. Já não se sabe ao certo quantos têm, e muito menos quantos mais virão.
Ela está cansada de remendos, cansada de tantas marcas ou retalhos que não encaixam. Ela quer um certo, um que fique bem, que a complete. Mas já não procura, não sabe aonde irá achá-lo só sabe que até agora nenhum lhe serviu. Uns porque a cor não combinava, outros por simplesmente não terem o formato certo. E hoje vive assim, tentando achar um retalho que sirva, talvez por não querer mais mostrar todos aqueles remendos...
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
amigos.
Existem centenas de pessoas que frequentam os mesmos lugares que nós, têm interesses parecidos ou até mesmo aquelas que esbarramos por simples obra do acaso. Mas entre essas pessoas que aparecem todos os dias têm aquelas com o brilho no olhar, com um sorriso diferente, com um ar de aconchego. E em pouco tempo achamos outro adjetivo para esses: amigos.
E hoje digo, sem problema algum que sorte tenho em ter amigos como estes. Cada qual a sua forma me entende de uma maneira diferente e digo com toda certeza que por eles sou inteira afinal.
Há aquela que gosta mais de atos e ações, que não vai muito com a cara do consolo. Gosta mais de mostrar o que pensa e como agiria. Assim até parece que é fria, mas não é. Ser direta é o seu alvo principal e não medir palavras é seu efeito colateral.
Existe também aquela que compartilha meus sonhos acordada, minha imaginação fértil e aquelas fantasias de criança. Que enxerga o imaginável de longe e vive no meio termo entre real e sonho. É sensível, muito sensível e prefere o sentir ao compreender. Tenho vontade de levá-la para onde for pra sempre ter algum sonho bom à mão.
Não posso me esquecer também de todo aquele alto astral que o define, é confortante e sorridente. Em dias nublados ele me mostra o arco-íris. É aquela pessoa que nos dias de chuva fala que gosta de se molhar e quando a ventania vem diz que é refrescante sentir a brisa. É um verdadeiro positivista.
Mas entre eles também existe o com ar misterioso, daquele tipo que te faz querer sempre saber mais. Que tem uma calma única, que incomoda e conforta. E particularmente me intriga. Aquele que faz pose de garoto grande, mas que eu vejo como uma criança simplesmente boa, um menino encantador.
Chega a ser engraçado, mas cada um tão diferente e particular no seu modo de ser e agir me completam tão bem que já sinto como se fizessem parte de mim. E os transformo assim em palavras, para ter além das várias lembranças diárias a memória em papel, pra não esquecer jamais o que o simples riso de vocês me faz.
E hoje digo, sem problema algum que sorte tenho em ter amigos como estes. Cada qual a sua forma me entende de uma maneira diferente e digo com toda certeza que por eles sou inteira afinal.
Há aquela que gosta mais de atos e ações, que não vai muito com a cara do consolo. Gosta mais de mostrar o que pensa e como agiria. Assim até parece que é fria, mas não é. Ser direta é o seu alvo principal e não medir palavras é seu efeito colateral.
Existe também aquela que compartilha meus sonhos acordada, minha imaginação fértil e aquelas fantasias de criança. Que enxerga o imaginável de longe e vive no meio termo entre real e sonho. É sensível, muito sensível e prefere o sentir ao compreender. Tenho vontade de levá-la para onde for pra sempre ter algum sonho bom à mão.
Não posso me esquecer também de todo aquele alto astral que o define, é confortante e sorridente. Em dias nublados ele me mostra o arco-íris. É aquela pessoa que nos dias de chuva fala que gosta de se molhar e quando a ventania vem diz que é refrescante sentir a brisa. É um verdadeiro positivista.
Mas entre eles também existe o com ar misterioso, daquele tipo que te faz querer sempre saber mais. Que tem uma calma única, que incomoda e conforta. E particularmente me intriga. Aquele que faz pose de garoto grande, mas que eu vejo como uma criança simplesmente boa, um menino encantador.
Chega a ser engraçado, mas cada um tão diferente e particular no seu modo de ser e agir me completam tão bem que já sinto como se fizessem parte de mim. E os transformo assim em palavras, para ter além das várias lembranças diárias a memória em papel, pra não esquecer jamais o que o simples riso de vocês me faz.
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Telefonema.
Estava sentada na cama encarando os pés, feito criança esperançosa, no ouvido havia o telefone e este estava chamando. A menina estava ansiosa, até que se ouve do outro lado alguém atender: “Alô” dizia a voz, era ele. Ela sabia disso, tinha absoluta certeza. Na verdade era só um alô, mas era o dele, a voz dele, e isso simplesmente lhe tirava a fala. As palavras sumiam de sua boca e ela mal conseguia pensar no que ia dizer após aquilo.
Até que saiu, uma única palavra de sua boca meio rouca, meio receosa do que poderia acontecer depois. Ela diz oi. Um oi simples e tranquilo tentava passar toda a tranquilidade que ela não tinha naquele momento.
E conversa vai, conversa vem e ela havia se esquecido de tudo, do mundo, do medo, da vida. Só lembrava dele, dele e da sua voz, como era linda aquela voz. Ela entrava pelo seu ouvido como musica, sua risada a fazia sorrir um sorriso bobo, apaixonado.
Ela poderia passar o resto dos dias ao telefone, ouvindo-o falar, sentindo sua respiração, falando de besteiras, de acasos, de tudo e de nada. Mas vem a hora de desligar, e como dói. É só um telefonema, ela sabe. Porem ela não ouvirá sua voz durante algum tempo até o próximo contato.
Queria apenas estar mais perto, poder abraçar. E nesse abraço nenhuma palavra ia ser dita, mas muita coisa ia ser entendida, sentida. Porque as vezes não são necessárias palavras nem frases articuladas, só é preciso um gesto, e mais nada.
29/07/2008
Até que saiu, uma única palavra de sua boca meio rouca, meio receosa do que poderia acontecer depois. Ela diz oi. Um oi simples e tranquilo tentava passar toda a tranquilidade que ela não tinha naquele momento.
E conversa vai, conversa vem e ela havia se esquecido de tudo, do mundo, do medo, da vida. Só lembrava dele, dele e da sua voz, como era linda aquela voz. Ela entrava pelo seu ouvido como musica, sua risada a fazia sorrir um sorriso bobo, apaixonado.
Ela poderia passar o resto dos dias ao telefone, ouvindo-o falar, sentindo sua respiração, falando de besteiras, de acasos, de tudo e de nada. Mas vem a hora de desligar, e como dói. É só um telefonema, ela sabe. Porem ela não ouvirá sua voz durante algum tempo até o próximo contato.
Queria apenas estar mais perto, poder abraçar. E nesse abraço nenhuma palavra ia ser dita, mas muita coisa ia ser entendida, sentida. Porque as vezes não são necessárias palavras nem frases articuladas, só é preciso um gesto, e mais nada.
29/07/2008
domingo, 26 de outubro de 2008
Saudade.
Inúmeras coisas acontecem na vida das pessoas e cada uma reage de maneira diferente aos diversos fatos da vida. Essas coisas não são ensinadas no colégio nem em livros, no geral aprendemos sozinhos. Mas há algum tempo venho me perguntando se o modo como eu me comporto em determinadas situações é o certo, se eu não poderia ter feito melhor, se não poderia ter mudado algo.
Mas como julgar sentimentos que geram ações se só você mesmo os pode ver? Afinal, é muito fácil julgar alguém por não ter se comportando como você esperava, mas não é tão fácil entender o que essa mesma pessoa sente. Por isso sempre tive a convicção de que não poderia julgar ninguém por seus atos, mas julgo, sou humana, falho.
Hoje não vim julgar ninguém ou pensar no porque dos atos externos, quero entender melhor a razão desse sentimento que me consome por essas horas só ter chego agora, depois de tanto tempo.
É a saudade, ela sempre vem a tona, mas dessa vez foi de uma maneira diferente, acariciou minha pele como algo definitivo e me fez ter vontade de chorar. Essa é certa e convicta, não é como as outras, ela é real e não tem volta. A partir de hoje sempre irá existir periodicamente, e saindo dos lugares mais improváveis possíveis, só para dar o ar de sua graça.
Acho que me arrependo de não ter derramado nenhuma lágrima na época, de achar que tudo ficaria bem se eu fingisse que nada tinha acontecido, que ele entraria pela porta da sala novamente com um saco de balas na mão e me daria um beijo no rosto. Ele sempre fazia assim, e eu ainda tinha a audácia de reclamar as vezes, dizendo que não era mais criança e que ele não precisava trazer mais saquinhos de bala. Quem dera que só mais um saquinho desses aparecesse por aqui.
Ontem e hoje entrei em seu quarto, não era parecido com o que eu me lembrava. Não tinha mais seu cheiro de leite de rosas, nem suas coisas. Não tinha mais nada seu além da cama. Senti então pela primeira vez a sensação de perda. Abri os armários, gavetas, e nada. Não havia mais nada. Aonde foi que tinha parado tudo dele? Suas roupas ou objetos tinham simplesmente sumido, nem a minha foto que ficava na cabeceira da cama estava lá.
É verdade, nunca mais tinha entrado lá depois que ele morreu, nem dei muita importância para suas coisas na época, não me importei com nada. Eu simplesmente passei como se não houvesse ocorrido coisa alguma. Ficava deitada na sala, pensado que ele abriria a porta e chegaria mais uma vez, para um abraço de despedida. Passou mais de 3 anos e realmente, ele não voltou para me dar aquele abraço.
Eu fui mais afundo, perguntei aonde tinham parado suas roupas. Falaram-me que tudo foi doado e perguntam o porquê. Eu me fiz com todo descaso que pude, não sei o motivo ao certo, e disse que não era pra nada. Talvez não quisesse ver mais alguém pensando nele como eu estava. Com toda aquela saudade.
Eu só queria vestir suas camisas grandes em mim e pensar que ele me abraçava através delas. De recostar a cabeça em seu travesseiro e sentir aquele seu perfume que me afagava, de olhar para minha foto que ficava do lado da cama e imaginar o quanto ele me amava. E quantas vezes mais eu tinha que ter dito que o amava da mesma forma. Acho que mesmo que dissesse mais mil vezes não seria o suficiente para parar o que estou sentindo agora.
Eu que fiz tantas promessas pra ele, falei até dos filhos que teria, de como seria e que ele me ajudaria. Mas o mesmo não chegou a me ver nem completar 15. Queria que ele estivesse aqui agora...
(vovô, sinto sua falta.)
Mas como julgar sentimentos que geram ações se só você mesmo os pode ver? Afinal, é muito fácil julgar alguém por não ter se comportando como você esperava, mas não é tão fácil entender o que essa mesma pessoa sente. Por isso sempre tive a convicção de que não poderia julgar ninguém por seus atos, mas julgo, sou humana, falho.
Hoje não vim julgar ninguém ou pensar no porque dos atos externos, quero entender melhor a razão desse sentimento que me consome por essas horas só ter chego agora, depois de tanto tempo.
É a saudade, ela sempre vem a tona, mas dessa vez foi de uma maneira diferente, acariciou minha pele como algo definitivo e me fez ter vontade de chorar. Essa é certa e convicta, não é como as outras, ela é real e não tem volta. A partir de hoje sempre irá existir periodicamente, e saindo dos lugares mais improváveis possíveis, só para dar o ar de sua graça.
Acho que me arrependo de não ter derramado nenhuma lágrima na época, de achar que tudo ficaria bem se eu fingisse que nada tinha acontecido, que ele entraria pela porta da sala novamente com um saco de balas na mão e me daria um beijo no rosto. Ele sempre fazia assim, e eu ainda tinha a audácia de reclamar as vezes, dizendo que não era mais criança e que ele não precisava trazer mais saquinhos de bala. Quem dera que só mais um saquinho desses aparecesse por aqui.
Ontem e hoje entrei em seu quarto, não era parecido com o que eu me lembrava. Não tinha mais seu cheiro de leite de rosas, nem suas coisas. Não tinha mais nada seu além da cama. Senti então pela primeira vez a sensação de perda. Abri os armários, gavetas, e nada. Não havia mais nada. Aonde foi que tinha parado tudo dele? Suas roupas ou objetos tinham simplesmente sumido, nem a minha foto que ficava na cabeceira da cama estava lá.
É verdade, nunca mais tinha entrado lá depois que ele morreu, nem dei muita importância para suas coisas na época, não me importei com nada. Eu simplesmente passei como se não houvesse ocorrido coisa alguma. Ficava deitada na sala, pensado que ele abriria a porta e chegaria mais uma vez, para um abraço de despedida. Passou mais de 3 anos e realmente, ele não voltou para me dar aquele abraço.
Eu fui mais afundo, perguntei aonde tinham parado suas roupas. Falaram-me que tudo foi doado e perguntam o porquê. Eu me fiz com todo descaso que pude, não sei o motivo ao certo, e disse que não era pra nada. Talvez não quisesse ver mais alguém pensando nele como eu estava. Com toda aquela saudade.
Eu só queria vestir suas camisas grandes em mim e pensar que ele me abraçava através delas. De recostar a cabeça em seu travesseiro e sentir aquele seu perfume que me afagava, de olhar para minha foto que ficava do lado da cama e imaginar o quanto ele me amava. E quantas vezes mais eu tinha que ter dito que o amava da mesma forma. Acho que mesmo que dissesse mais mil vezes não seria o suficiente para parar o que estou sentindo agora.
Eu que fiz tantas promessas pra ele, falei até dos filhos que teria, de como seria e que ele me ajudaria. Mas o mesmo não chegou a me ver nem completar 15. Queria que ele estivesse aqui agora...
(vovô, sinto sua falta.)
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Fim do conto de fadas.
E o conto de fadas acabou. E a moça chorou, sozinha. Quando viu que seu príncipe encantado morria de encantos por outra. E que nada mais se podia fazer. Só esperar, esperar, esperar. Mas esperar porquê?! Esperar o que?! Ela não sabe ao certo o que esperas. Ela espera por ele, mas é uma espera tola, tardia. Pois sabes que ele não virá buscá-la no seu lindo cavalo branco.
E ela aos poucos se acomoda com isso tudo. Com essa dorzinha constante, com um choro já seco. E vive assim. E as vezes até ousa dizer que é feliz. Que não liga, que já tinha desistido bem antes disso tudo. Diz isso talvez porque realmente tenta acreditar nas próprias mentiras. Porque viver delas seria bem mais fácil, bem mais simples, talvez pra ela fosse bem melhor.
E talvez o mais difícil seja como ele age perante isso tudo. Ele continua sendo tão bom, e isso a causa raiva. Raiva porque assim tudo isso nunca vai acabar sendo ele assim, tão gentil. E causa remorso também, porque ela tinha que sentir, se apaixonar, falar? Ela devia aprender que as vezes o melhor é se calar.
E o pior de tudo é que o sentimento não diminui, por mais que tente, ele continua lá, guardado. Porque ele simplesmente não dá motivos para ela não o amar. E ela agora está por ai, tentando entender, se encontrar.
02/07/08
E ela aos poucos se acomoda com isso tudo. Com essa dorzinha constante, com um choro já seco. E vive assim. E as vezes até ousa dizer que é feliz. Que não liga, que já tinha desistido bem antes disso tudo. Diz isso talvez porque realmente tenta acreditar nas próprias mentiras. Porque viver delas seria bem mais fácil, bem mais simples, talvez pra ela fosse bem melhor.
E talvez o mais difícil seja como ele age perante isso tudo. Ele continua sendo tão bom, e isso a causa raiva. Raiva porque assim tudo isso nunca vai acabar sendo ele assim, tão gentil. E causa remorso também, porque ela tinha que sentir, se apaixonar, falar? Ela devia aprender que as vezes o melhor é se calar.
E o pior de tudo é que o sentimento não diminui, por mais que tente, ele continua lá, guardado. Porque ele simplesmente não dá motivos para ela não o amar. E ela agora está por ai, tentando entender, se encontrar.
02/07/08
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Sentimentos pra dois.
Você me faz tão bem. E já é quase impossível me imaginar sem você, sem seu riso, sem suas brincadeiras, sem seu importar desimportante.
E me perco entre esses sentimentos por você. As vezes é a paixão, que me faz rir sozinha, sonhar acordada. Outras mais, vem como amor, marcada pela convicção, pela certeza do que sinto e quero. E quando se imagina que mais nenhum sentimento possa surgir nessa confusão, vem ele. Chega à amizade. E penso que o que sinto por você não passa de um carinho especial, um amor incondicional, daqueles que só irmãos podem ter.
Mas entre a paixão, o amor e a amizade, vêm à dúvida. O medo. A desilusão. A angustia. A agonia. E me sinto realmente como uma inútil, por sentir isso tudo. Sinto sozinha, pois não sei o que sentes. Sinto sozinha, porque ninguém entende.
E penso se vale mesmo à pena sentir isso tudo por você. Se estou fazendo certo nutrindo essa ilusão ou desistindo das minhas esperanças. Que apesar de tudo, continuam aqui, quase que intocáveis.
Não quero desistir e perder. Isso não, nunca. Mas também não posso ficar correndo atrás de vento, andando em círculos. Amo muito, sofro as vezes, vivo sempre, morro quando vem a desilusão, riu quando apareces. Tudo só por você. E não quero pensar sozinha em nós dois. Não tenho sentimentos suficientes para dois.
E me perco entre esses sentimentos por você. As vezes é a paixão, que me faz rir sozinha, sonhar acordada. Outras mais, vem como amor, marcada pela convicção, pela certeza do que sinto e quero. E quando se imagina que mais nenhum sentimento possa surgir nessa confusão, vem ele. Chega à amizade. E penso que o que sinto por você não passa de um carinho especial, um amor incondicional, daqueles que só irmãos podem ter.
Mas entre a paixão, o amor e a amizade, vêm à dúvida. O medo. A desilusão. A angustia. A agonia. E me sinto realmente como uma inútil, por sentir isso tudo. Sinto sozinha, pois não sei o que sentes. Sinto sozinha, porque ninguém entende.
E penso se vale mesmo à pena sentir isso tudo por você. Se estou fazendo certo nutrindo essa ilusão ou desistindo das minhas esperanças. Que apesar de tudo, continuam aqui, quase que intocáveis.
Não quero desistir e perder. Isso não, nunca. Mas também não posso ficar correndo atrás de vento, andando em círculos. Amo muito, sofro as vezes, vivo sempre, morro quando vem a desilusão, riu quando apareces. Tudo só por você. E não quero pensar sozinha em nós dois. Não tenho sentimentos suficientes para dois.
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Imaginação fértil.
Eu como ser humano, mais especificamente como uma garota facilmente iludível sempre acabava por acreditar, rir e chorar com as próprias coisas que imaginava. Aquele garoto que eu nunca conheci, o que ria das minhas trapalhadas e que achava a minha maior gafe simplesmente bonitinha. Ele tem nome, idade, rosto, qualidades e defeitos. E eu poderia dizer sem medo algum, o amo.
Mas como o destino é injusto, ele não existe, não o conheço. E agora o que faço com tudo que imaginei? Se ao invés de conhecer gente de carne e osso por ai eu sempre achei mais prazeroso ficar deitada imaginando longas conversas, brigas e birras com ele?
Por isso desisti de tudo, desisti da minha imaginação e da alta capacidade de me entreter sozinha com outros (se é que consegue me entender) e fui conhecer pessoas. Mas era só conhecer alguém que já a recriava na minha cabeça. Ela era sempre perfeita, até nossas brigas eram confortantes. Bobagem minha, em pouco tempo percebi que não acontecia da mesma forma na vida real e que nem sempre as coisas acabavam bem. E ai eram não só uma, mas duas decepções. Pela briga e pela expectativa que eu havia criado pelas pessoas. Que podem ser tudo, menos perfeitas.
Então lá fui eu, mais uma vez desistir dessa minha imaginação fértil que só me causava problemas. E então comecei a falar, falar e falar. Não calava mais a boca, se não tivesse tempo de pensar em nada não teria mais tempo de imaginar também. Falava com tudo e todos, a todo o momento.
Mas o tempo foi passando, passando, e eu já até havia esquecido dela, mas tudo andava tão sem graça, pálido, desbotado. E faltava algo, viver só daquilo que estava na minha frente era simplesmente vago demais pra mim. E um dia, já deitada eu lembrei dele, do garoto que ria das minhas bobagens, e quando vi, estava rindo junto. Era um riso tão bom, tão calmo e descompromissado que me deixei rir.
E hoje, ele pode até não existir, mas faz meus dias risonhos e coloridos, como ninguém mais faz. Talvez não seja ele que faça isso já que não existe. Talvez seja eu, que quando canso do que vejo pela frente volto para rever os que sempre estiveram na minha mente.
Mas como o destino é injusto, ele não existe, não o conheço. E agora o que faço com tudo que imaginei? Se ao invés de conhecer gente de carne e osso por ai eu sempre achei mais prazeroso ficar deitada imaginando longas conversas, brigas e birras com ele?
Por isso desisti de tudo, desisti da minha imaginação e da alta capacidade de me entreter sozinha com outros (se é que consegue me entender) e fui conhecer pessoas. Mas era só conhecer alguém que já a recriava na minha cabeça. Ela era sempre perfeita, até nossas brigas eram confortantes. Bobagem minha, em pouco tempo percebi que não acontecia da mesma forma na vida real e que nem sempre as coisas acabavam bem. E ai eram não só uma, mas duas decepções. Pela briga e pela expectativa que eu havia criado pelas pessoas. Que podem ser tudo, menos perfeitas.
Então lá fui eu, mais uma vez desistir dessa minha imaginação fértil que só me causava problemas. E então comecei a falar, falar e falar. Não calava mais a boca, se não tivesse tempo de pensar em nada não teria mais tempo de imaginar também. Falava com tudo e todos, a todo o momento.
Mas o tempo foi passando, passando, e eu já até havia esquecido dela, mas tudo andava tão sem graça, pálido, desbotado. E faltava algo, viver só daquilo que estava na minha frente era simplesmente vago demais pra mim. E um dia, já deitada eu lembrei dele, do garoto que ria das minhas bobagens, e quando vi, estava rindo junto. Era um riso tão bom, tão calmo e descompromissado que me deixei rir.
E hoje, ele pode até não existir, mas faz meus dias risonhos e coloridos, como ninguém mais faz. Talvez não seja ele que faça isso já que não existe. Talvez seja eu, que quando canso do que vejo pela frente volto para rever os que sempre estiveram na minha mente.
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Boneca de retalhos.
Como uma boneca de retalhos ela é feita, cada pessoa que vai passando deixa um pedaço. Dá um ponto, faz um remendo, deixa um traço. E ela vai assim, vivendo. Cada retalho seu tem uma forma e cor. Uns bem coloridos, outros mais espalhafatosos. Há aqueles de bolinhas e outros listrados também. Nenhum é igual na estampa, muito menos no tamanho sem contar ainda o formato.
Mas tem um lugar na boneca que vive cheio de remendos e ali é visivel faltar um pedaço de pano, é bem no meio do peito. O tecido dessa parte já está repuxado, daqui a pouco rasga de novo e lá vem outro remendo. Já não se sabe quantos têm. Falta ali um pedaço de pano, mas nenhum até agora coube. Umas vezes porque a cor era errada, outras mais o tamanho não batia, ou até mesmo a estampa não combinava. E ela vive assim, tentando colocar um retalho qualquer ali, talvez por não mais querer mostrar todos aqueles remendos...
Mas tem um lugar na boneca que vive cheio de remendos e ali é visivel faltar um pedaço de pano, é bem no meio do peito. O tecido dessa parte já está repuxado, daqui a pouco rasga de novo e lá vem outro remendo. Já não se sabe quantos têm. Falta ali um pedaço de pano, mas nenhum até agora coube. Umas vezes porque a cor era errada, outras mais o tamanho não batia, ou até mesmo a estampa não combinava. E ela vive assim, tentando colocar um retalho qualquer ali, talvez por não mais querer mostrar todos aqueles remendos...
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