quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Telefonema.

Estava sentada na cama encarando os pés, feito criança esperançosa, no ouvido havia o telefone e este estava chamando. A menina estava ansiosa, até que se ouve do outro lado alguém atender: “Alô” dizia a voz, era ele. Ela sabia disso, tinha absoluta certeza. Na verdade era só um alô, mas era o dele, a voz dele, e isso simplesmente lhe tirava a fala. As palavras sumiam de sua boca e ela mal conseguia pensar no que ia dizer após aquilo.

Até que saiu, uma única palavra de sua boca meio rouca, meio receosa do que poderia acontecer depois. Ela diz oi. Um oi simples e tranquilo tentava passar toda a tranquilidade que ela não tinha naquele momento.

E conversa vai, conversa vem e ela havia se esquecido de tudo, do mundo, do medo, da vida. Só lembrava dele, dele e da sua voz, como era linda aquela voz. Ela entrava pelo seu ouvido como musica, sua risada a fazia sorrir um sorriso bobo, apaixonado.

Ela poderia passar o resto dos dias ao telefone, ouvindo-o falar, sentindo sua respiração, falando de besteiras, de acasos, de tudo e de nada. Mas vem a hora de desligar, e como dói. É só um telefonema, ela sabe. Porem ela não ouvirá sua voz durante algum tempo até o próximo contato.

Queria apenas estar mais perto, poder abraçar. E nesse abraço nenhuma palavra ia ser dita, mas muita coisa ia ser entendida, sentida. Porque as vezes não são necessárias palavras nem frases articuladas, só é preciso um gesto, e mais nada.

29/07/2008

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