domingo, 26 de junho de 2011

Banheiro - quarta parte.

Eu fui fazer xixi e tentei me acalmar sentada olhando pros meus pés, mas tinha aquela goteira maldita do chuveiro marcando sempre o mesmo tempo e eu deveria ter fechado, mas eu não fiz, eu ia querer abrir o chuveiro e deixar toda aquela água fria cair em cima de mim e da minha roupa pra ver se carregava toda essa coisa embolada que eu to sentindo como se faltasse ar dentro do meu pulmão. Acho que é mais como se faltasse a sua paz nos meus dias, porque a minha mente é muito confusa e você sabe disso, você se apaixonou por esse ritmo de temperamento forte que não deixa muita gente se aproximar e que tem manias feias de cortar coisas e amassar papel.

Eu não sei mais de nada, eu não tenho mais meus princípios nem minhas certeza, eu só vivo para escrever como eu não sei o que sentir ou fazer e estabeleço horários para não me perder e acabar saindo por ai andando pela rua, e esperando que alguma coisa diferente aconteça, que um carro passe e sorria, que eu sente na calçada como eu já fiz e espere alguma boa noticia vinda de algum conto infantil que eu li na ultima semana enquanto me escondia embaixo da minha escrivaninha porque cismei que ali era o lugar mais seguro do mundo, já que não existe mais seus braços preu me esconder.

Anjo é um nome bobo. - terceira parte.

Você foi o anjo da minha vida, por mais brega que a palavra anjo signifique se tratando de relacionamentos. Você me chamou, acolheu, amor. E quando eu disse toda a verdade, tudo que eu nunca mais disse pra ninguém, quando eu mostrei todo o pior de mim você me abraçou e chorou, chorou lagrimas pesadas. Se conteve, e cuidou de tudo por mim. Me protegeu de mim mesma, da minha tendência louca a auto destruição. Falou não pras minhas pirraças tristes e me fez crescer. Como não me sentir grata? Como entender que ninguém mais vai me proteger de mim mesma? E quando meus ombros voltarem a aparecer machucados, quem vai brigar comigo e me fazer entender que assim não dá pé? E quando eu fizer de novo aquela besteira que você me fez jurar nunca fazer? Eu sei que eu jurei, mas você jurou cuidar de mim, porque eu não sei fazer sozinha, e isso é medíocre, porque eu deveria ser forte e me virar sozinha. Mas todo mundo sabe que tem dias que ou a gente é cuidado ou a gente se descuida mesmo.


Hoje é um dia assim. Infelizmente.

Silêncio doído - segunda parte.

Eu ando calada carregando a dor da partida nas alças da minha mochila desbotada que você carregava. Eu chego no meu quarto, e tem você nas paredes, no chão, na tela do computador, nas minhas musicas, na minha forma de falar. É como se eu não tivesse aceitado todo esse fim. Eu não aceito mesmo não. Eu compartilhei com você tanta coisa, e sei que foi recíproco. Mas agora parece tão frio, meus pés estão gelados e meu nariz entupido. Eu to me balançando na cadeira como se isso afastasse toda a minha tristeza, mas não afasta. Só me deixa enjoada de ter deixado tudo chegar nesse estado. Eu abandonada num quarto frio esperando que alguém me salve. Esse alguém é você. E eu sei que meu celular não vai tocar magicamente como você fazia.

Engano. - Primeira parte.

Talvez mais cedo eu estivesse achando que amasse outra pessoa, mas, nessa noite de frio, por mais que eu negue, eu ainda te amo. Eu te amo lembrando cada palhaçada. De cada briga por lençol. Aquele filme que a gente não sabe o final por que estávamos muito ocupados entre mãos. Daquele beijo que tinha gosto de bala de mente e granola. Gosto de outono. Você foi meu maior e melhor outono. Mas se acabou.

Eu poderia começar me culpando pelo fim , mas não. Deixe que cada um carregue a dor que tem por esse fim de maneira solitária. Ninguém precisa saber da nossa parte má que levou a isso tudo, só a gente. É o nosso eterno segredo.

(Vou dividir esse grande texto em vários pequenos. Primeira parte)

Eu sou assim.

Estou abraçando o meu horror com força. Por medo de viver sem ele, por medo de não ter medo da vida. Medo de não ter medo. Essa sou eu. Me acorrentando a cada esquina a qualquer complexo que não me permita ir alem do 6,5. Do quase aceitável, do minimamente bom pra gente não cair no drama, e continuar, mesmo assim, se achando incapaz para tudo. Essa sou eu, meu esconderijo de incapacidades. Meus tormentos nas pulseirinhas, nos unicórnios, na minha repentina disposição. Essa é a pior de todas. EU NÃO TENHO DISPOSIÇÃO. Eu não gosto de fazer nada. E eu ainda levando os braços, sorrio, falo alguma frase sem sentido e completamente caricaturada. Não quero enganar ninguém, é mesmo uma encenação interior, pra ver se alguma coisa muda, se essas minhas mentirinhas se tornam verdades lindas e aconchegantes. (Eu ainda tenho esses sonhos de criança).


Desculpa..