terça-feira, 29 de março de 2011
A morte do verde dos olhos (que eram castanhos).
sábado, 19 de março de 2011
Desencontro interior.
O primeiro sorriu, me puxou, beijou. Acho que quase nenhum beijo é de todo mal. Me senti bonita, alguma vez me senti mais confiante, eu queria me sentir bem. Ser feliz pela ignorância, ser cobiçada não faz mal. Não se aceitar faz muito mal, eu já me faço mal todos os dias.
terça-feira, 15 de março de 2011
Menino encantador. (Sinto sua falta, L.)
(O primeiro parágrafo faltou coragem de mostrar..)
Quem me dera, o menino encantador me encantasse com suas contas. Eu já me encante por elas. O lupe duplo foi nosso primeiro encontro. A discussão sobre ponto de fuga oficializou o namoro. Eu acho que você ainda me ama, eu também sinto isso. Mas tá separado, cada um tá amando de um lado. Lembra quando era junto? Sabe, abraçado? Correndo pros meus pais não verem. E aquele esporro, aquele gemido preso que eu deixava escapar. Cadê toda a minha vontade de pele, de osso, de língua, de mão. Ela sumiu, o encanto acabou, eu deixei você partir, eu fiz você partir. Eu sempre parto as pessoas, Dói, dor, menino, amor, criança grande, meu melhor amigo, meu abraço, meu terceiro dente bonitinho.
Você ainda me quer? Eu te quero, eu não te quero, eu te quero quando estou sozinha, eu sou egoísta e mereço morrer sozinha. Sou inteligente, não vou morrer sozinha. Apesar que ninguém gosta de garotas feias, Mas você sempre me chamou de linda. Você mentiu? A gente nunca mentia. Eu menti quando te deixei partir, eu falei coisas melhores para não te ferir. Eu sou melhor ou pior por isso? Eu menti, eu sou uma pessoa má. Eu nunca mentiria para o meu grande amor. Você não é mais meu grande amor? Quem é você. Eu te chamava de amor. Não sei te chamar por outro nome. Eu preciso saber.
(Você sempre será meu menino encantador.)
Fevereiro 2011
Para P.
Insiste, descarrega, revolta, volta, acaricia, dorme, acorda, triste, mata, chora, consola, ama, volta, chora, chora, chora. Essa menina não se cansa de chorar, a cor vermelha sabe disso, e grita, e canta, e chora. Aquelas mãos sabem consolar. Ah sorriso triste, porque insiste tanto em continuar? E esse olhar cabisbaixo, não vai passar? Quase ninguém o nota, mas ele ainda está lá. Isso não pode continuar, mas se ninguém impedir, como parar? A vida sussurra coisas tristes para pessoas que vão ser grandes, a gente acredita nessa tristeza toda. Ninguém pode ser triste assim, as pessoas têm que se amar mais, ser feliz. Não chore, olhos castanhos, porque eu vejo seus olhos azuis.
Fevereiro 2011
Menina-árvore.
A garota-árvore era linda, toda a sua existência brilhava naquela pele alva de menina moleca, nas mãos pequenas e suaves, nas pernas ágeis de menino. Naquele sorriso que tinha os dois sexos embutidos. Seus olhos mudavam de cor com tanta facilidade, poderia olhar para eles durante toda a tarde; aquele cinza misterioso, aquele mesclado furtivo, aquele verde forte e imponente.
Sua boca tinha gosto de terra e planta, era bom. A boca não servia para falar, mas para amar. E a simplicidade que fazia aquilo me deixava com inveja. Beijava conhecidos pelo simples prazer de amá-los pelo que eram. Não era eterno, não era difícil. Era livre e amoroso, como todos os beijos deveriam ser. Eu queria beijá-la mais uma vez.
13/03/2011
