quinta-feira, 28 de julho de 2011

Um dia comum.

Eu coloquei meus sapatos mais bonitos, não que alguém ache isso deles, minha mãe disse que estão furados, não dá mais para usar, mas quem se importa. Minha mãe é genial, minha mãe é idiotinha, minha mãe perdeu o bom senso quando parou de ver que o sol sorria.

Fazia 4 dias que eu não saia de casa, eu tinha esquecido como é bom sentir o sol aquecer a minha pele desbotada. Meus pés caminhavam tranqüilos e meio embaralhados pelo cimento, meus pés queriam mar.

Continuei andando, peguei aquele mesmo ônibus cinza, queria ouvir musica, fiquei cantarolando alguma coisa que eu só sabia o começo. A velha ao meu lado olhou pra mim, aquele seu esmalte já gasto, aquelas mãos firmes e grandes estavam me parecendo tão sozinhas de companhia. Voltei a olhar para a janela, queria que eu fizesse o que? A confortasse? Meu conforto iria durar mais 3 pontos. É conforto de menos para uma talvez expectativas demais. Talvez uma pontinha de esperança renascesse no desejo de não estar mais sozinha, de ver seus netos mais vezes, de receber telefonemas de seus filhos em algum dia além das datas comemorativas. Seus passarinhos e plantas não eram de todo mal, talvez eles que ainda a fizesse ter forças para estar naquele ônibus, para comprar comida, para pintar da mesma velha cor as unhas cansadas.

Talvez ela só não quisesse parecer tão abatida.


Era eu ou ela que queria isso? Já nem sei.

A minha mudança muda alguma coisa?

Colocou seu vestido florido e sua sapatilha encardida, não deveria ser uma boa postura andar assim na rua, riu de si mesma e saiu. Andou observando cada coisa: o cachorro do outro lado da rua, o velho catador de latas tão entretido nas suas conversas imaginárias, os garotos na porta do mercado fazendo absolutamente nada e causando desconforto para os que passavam. A mulher apressada cheia de bolsas e sacolas bonitas, o homem de mochila e fones de ouvido, algumas crianças andando olhando para o chão. Era mais um dia típico. Ou talvez não, ela estava de vestido. Será que um vestido muda alguma coisa? Muda a solidão dos velhinhos da praça? Muda a presunção das mulheres de meia idade que estão abundantemente maquiadas? O que as coisas que a gente faz mudam no final?

Meu sonho

Eu sonhei com esse dia, eu sonhei que a gente ia ser feliz, eu sonhei que nada ia atrapalhar a paz do mundo, ou a paz do meu mundo de 17 pessoas genialmente adoráveis. Eu recriei nosso templo de paz à custa das minhas olheiras e das minhas mãos de unhas roídas, eu criei um universo só meu onde nós podemos dançar sem saber, rir sem magoar, brincar sem ofender. Eu queria que mais gente fizesse parte do meu mundo, eu queria que o mundo todo fosse o meu mundo, eu queria que você entendesse o que eu digo.

sábado, 2 de julho de 2011

vagante.

Eu não pertenço, permaneço com essa sensação de estar sempre em transição de um lugar para outro, e não ser de lugar algum. Isso não é nenhuma novidade, nem um grande motivo para eu escrever ,o esquisito foi não pertencer nos seus braços. E continuar tentando. Entre movimentos de quadris, entre minha mente azul perambulando os lençóis, envolvida por suas mãos sonsas. Eu não pertenço com você, a você, mesmo tentando.

Eu tentei com força. Doeu. Não acreditei que doesse tanto. Não quis mais tentar. Talvez eu tenha que ser só uma estrangeira em seus braços, eu sou uma estranha dentro de qualquer abraço.