E se eu não posso te ter aqui ao meu lado, terei-te guardado dentro de minhas lembranças. Como um filme nunca antes visto pelo público, só por seu diretor. Ele o repassa várias e várias vezes, com o propósito de que fique perfeito, que fique tão perfeito que se confunda com o que é real. E com o tempo, vem o aprimoramento, a dedicação, e quando se vê, o diretor realmente acredita naquela farsa. Realmente a vive, seu oxigênio vem daquilo e por sua imaginação que está vivo. 21/06/08
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Um parágrafo solto que significa muito.
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
domingo, 23 de novembro de 2008
Boneca de retalhos. (reescrito)
De primeiro era perfeita, sem marcas ou arranhões, como um brinquedo novo. O tempo foi passando, e assim ela foi ganhando remendos. Hoje traz na alma e no coração marcas que as pessoas foram deixando pelo caminho. Por vezes seu sorriso descostura, os botões de seus olhos caem, mas sempre voltam pro lugar. Sempre tem alguém pra vir costurar.
Mas nem sempre foi assim, havia uma época que nada era remendado ou gasto. Começou com um alinhavo ali, um acertinho acolá e quando se viu já estava irreconhecível. Não parecia com o que era, tinha remendos, retalhos, marcas. Era outra, uma verdadeira boneca de retalhos, feita mais pelas pessoas que passavam do que pelo que originalmente era.
Cada pessoa que ia passando deixava um pedaço. Dava um ponto, um remendo, deixava um traço. E ela vai assim vivendo dos retalhos diários, das costuras fora do lugar, dos bordados fora de hora. E por mais que se pareçam vistos de longe nenhum retalho ou ponto é igual, nem no formando muito menos no tamanho. Uns são bem coloridos, outros já mais apagadinhos e têm aqueles, que por mais que se costure ainda tem um mau acabamento, um ponto entreaberto.
Por mais que tente esconder há um lugar na boneca que vive cheio de remendos e ali é visível faltar um pedaço de pano, é bem no meio do peito, no coração. Lá a muito não aparece um retalho que encaixe, muito menos um ponto que não desfaça com um leve movimento. Daqui a pouco o tecido dali rasga de novo e se ganha mais um remendo pra sua coleção. Já não se sabe ao certo quantos têm, e muito menos quantos mais virão.
Ela está cansada de remendos, cansada de tantas marcas ou retalhos que não encaixam. Ela quer um certo, um que fique bem, que a complete. Mas já não procura, não sabe aonde irá achá-lo só sabe que até agora nenhum lhe serviu. Uns porque a cor não combinava, outros por simplesmente não terem o formato certo. E hoje vive assim, tentando achar um retalho que sirva, talvez por não querer mais mostrar todos aqueles remendos...
Mas nem sempre foi assim, havia uma época que nada era remendado ou gasto. Começou com um alinhavo ali, um acertinho acolá e quando se viu já estava irreconhecível. Não parecia com o que era, tinha remendos, retalhos, marcas. Era outra, uma verdadeira boneca de retalhos, feita mais pelas pessoas que passavam do que pelo que originalmente era.
Cada pessoa que ia passando deixava um pedaço. Dava um ponto, um remendo, deixava um traço. E ela vai assim vivendo dos retalhos diários, das costuras fora do lugar, dos bordados fora de hora. E por mais que se pareçam vistos de longe nenhum retalho ou ponto é igual, nem no formando muito menos no tamanho. Uns são bem coloridos, outros já mais apagadinhos e têm aqueles, que por mais que se costure ainda tem um mau acabamento, um ponto entreaberto.
Por mais que tente esconder há um lugar na boneca que vive cheio de remendos e ali é visível faltar um pedaço de pano, é bem no meio do peito, no coração. Lá a muito não aparece um retalho que encaixe, muito menos um ponto que não desfaça com um leve movimento. Daqui a pouco o tecido dali rasga de novo e se ganha mais um remendo pra sua coleção. Já não se sabe ao certo quantos têm, e muito menos quantos mais virão.
Ela está cansada de remendos, cansada de tantas marcas ou retalhos que não encaixam. Ela quer um certo, um que fique bem, que a complete. Mas já não procura, não sabe aonde irá achá-lo só sabe que até agora nenhum lhe serviu. Uns porque a cor não combinava, outros por simplesmente não terem o formato certo. E hoje vive assim, tentando achar um retalho que sirva, talvez por não querer mais mostrar todos aqueles remendos...
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
amigos.
Existem centenas de pessoas que frequentam os mesmos lugares que nós, têm interesses parecidos ou até mesmo aquelas que esbarramos por simples obra do acaso. Mas entre essas pessoas que aparecem todos os dias têm aquelas com o brilho no olhar, com um sorriso diferente, com um ar de aconchego. E em pouco tempo achamos outro adjetivo para esses: amigos.
E hoje digo, sem problema algum que sorte tenho em ter amigos como estes. Cada qual a sua forma me entende de uma maneira diferente e digo com toda certeza que por eles sou inteira afinal.
Há aquela que gosta mais de atos e ações, que não vai muito com a cara do consolo. Gosta mais de mostrar o que pensa e como agiria. Assim até parece que é fria, mas não é. Ser direta é o seu alvo principal e não medir palavras é seu efeito colateral.
Existe também aquela que compartilha meus sonhos acordada, minha imaginação fértil e aquelas fantasias de criança. Que enxerga o imaginável de longe e vive no meio termo entre real e sonho. É sensível, muito sensível e prefere o sentir ao compreender. Tenho vontade de levá-la para onde for pra sempre ter algum sonho bom à mão.
Não posso me esquecer também de todo aquele alto astral que o define, é confortante e sorridente. Em dias nublados ele me mostra o arco-íris. É aquela pessoa que nos dias de chuva fala que gosta de se molhar e quando a ventania vem diz que é refrescante sentir a brisa. É um verdadeiro positivista.
Mas entre eles também existe o com ar misterioso, daquele tipo que te faz querer sempre saber mais. Que tem uma calma única, que incomoda e conforta. E particularmente me intriga. Aquele que faz pose de garoto grande, mas que eu vejo como uma criança simplesmente boa, um menino encantador.
Chega a ser engraçado, mas cada um tão diferente e particular no seu modo de ser e agir me completam tão bem que já sinto como se fizessem parte de mim. E os transformo assim em palavras, para ter além das várias lembranças diárias a memória em papel, pra não esquecer jamais o que o simples riso de vocês me faz.
E hoje digo, sem problema algum que sorte tenho em ter amigos como estes. Cada qual a sua forma me entende de uma maneira diferente e digo com toda certeza que por eles sou inteira afinal.
Há aquela que gosta mais de atos e ações, que não vai muito com a cara do consolo. Gosta mais de mostrar o que pensa e como agiria. Assim até parece que é fria, mas não é. Ser direta é o seu alvo principal e não medir palavras é seu efeito colateral.
Existe também aquela que compartilha meus sonhos acordada, minha imaginação fértil e aquelas fantasias de criança. Que enxerga o imaginável de longe e vive no meio termo entre real e sonho. É sensível, muito sensível e prefere o sentir ao compreender. Tenho vontade de levá-la para onde for pra sempre ter algum sonho bom à mão.
Não posso me esquecer também de todo aquele alto astral que o define, é confortante e sorridente. Em dias nublados ele me mostra o arco-íris. É aquela pessoa que nos dias de chuva fala que gosta de se molhar e quando a ventania vem diz que é refrescante sentir a brisa. É um verdadeiro positivista.
Mas entre eles também existe o com ar misterioso, daquele tipo que te faz querer sempre saber mais. Que tem uma calma única, que incomoda e conforta. E particularmente me intriga. Aquele que faz pose de garoto grande, mas que eu vejo como uma criança simplesmente boa, um menino encantador.
Chega a ser engraçado, mas cada um tão diferente e particular no seu modo de ser e agir me completam tão bem que já sinto como se fizessem parte de mim. E os transformo assim em palavras, para ter além das várias lembranças diárias a memória em papel, pra não esquecer jamais o que o simples riso de vocês me faz.
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Telefonema.
Estava sentada na cama encarando os pés, feito criança esperançosa, no ouvido havia o telefone e este estava chamando. A menina estava ansiosa, até que se ouve do outro lado alguém atender: “Alô” dizia a voz, era ele. Ela sabia disso, tinha absoluta certeza. Na verdade era só um alô, mas era o dele, a voz dele, e isso simplesmente lhe tirava a fala. As palavras sumiam de sua boca e ela mal conseguia pensar no que ia dizer após aquilo.
Até que saiu, uma única palavra de sua boca meio rouca, meio receosa do que poderia acontecer depois. Ela diz oi. Um oi simples e tranquilo tentava passar toda a tranquilidade que ela não tinha naquele momento.
E conversa vai, conversa vem e ela havia se esquecido de tudo, do mundo, do medo, da vida. Só lembrava dele, dele e da sua voz, como era linda aquela voz. Ela entrava pelo seu ouvido como musica, sua risada a fazia sorrir um sorriso bobo, apaixonado.
Ela poderia passar o resto dos dias ao telefone, ouvindo-o falar, sentindo sua respiração, falando de besteiras, de acasos, de tudo e de nada. Mas vem a hora de desligar, e como dói. É só um telefonema, ela sabe. Porem ela não ouvirá sua voz durante algum tempo até o próximo contato.
Queria apenas estar mais perto, poder abraçar. E nesse abraço nenhuma palavra ia ser dita, mas muita coisa ia ser entendida, sentida. Porque as vezes não são necessárias palavras nem frases articuladas, só é preciso um gesto, e mais nada.
29/07/2008
Até que saiu, uma única palavra de sua boca meio rouca, meio receosa do que poderia acontecer depois. Ela diz oi. Um oi simples e tranquilo tentava passar toda a tranquilidade que ela não tinha naquele momento.
E conversa vai, conversa vem e ela havia se esquecido de tudo, do mundo, do medo, da vida. Só lembrava dele, dele e da sua voz, como era linda aquela voz. Ela entrava pelo seu ouvido como musica, sua risada a fazia sorrir um sorriso bobo, apaixonado.
Ela poderia passar o resto dos dias ao telefone, ouvindo-o falar, sentindo sua respiração, falando de besteiras, de acasos, de tudo e de nada. Mas vem a hora de desligar, e como dói. É só um telefonema, ela sabe. Porem ela não ouvirá sua voz durante algum tempo até o próximo contato.
Queria apenas estar mais perto, poder abraçar. E nesse abraço nenhuma palavra ia ser dita, mas muita coisa ia ser entendida, sentida. Porque as vezes não são necessárias palavras nem frases articuladas, só é preciso um gesto, e mais nada.
29/07/2008
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