Eu ando em pânico.
O pânico arranha e explode dentro de mim durante aquela xícara de café meio amarga que eu tomo sem vontade, sentindo meu estômago doer. Quando eu dou um oi alegre para um pseudoconhecido e o ajudo com um exercício de matemática...
Meu pânico não grita, só consome.
Morde-me pelo meio, pelas pontas e pelo corpo todo. Queima minha pele, me faz querer desistir; aceitar qualquer droga barata, qualquer humilhação do dia seguinte, eu só preciso que ele pare hoje.
(Só mais hoje, por favor.)
Não há meio de permanecer sã com essa coisa dentro de mim; esse bolor e raiva e medo.
Os comprimidos da minha mãe parecem uma opção milagrosa, assim como sexo barato, as garrafas vazias e a agitação de algum lugar imundo. Tudo é valido quando não suporta o que há dentro de si. Nenhum risco é suficiente, nenhuma imprudência é realmente levada a sério. A moral não faz mais sentido.
Existe um lobo, meu lobo, que sente prazer no caos, no fogo, em destruir. Minha destruição! Qualquer coisa que possa me fazer morrer poética e dramaticamente, tudo que não reflita a menina de cabelos compridos - a garota desajeitada e assustada - que continua chorando frágil, perdendo-se de si. A raiva é melhor do que esse barulho, essa autopiedade, essa aceitação horrenda da instabilidade.
O caos é meu instante de libertação.
terça-feira, 6 de novembro de 2012
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
O ouvido tapava todo o som que destoava meio tom de sua lógica pouco eficaz. Ficava ficando meio surdo por medo de ouvir a melodia que o amor trazia todas as manhas quando o sol batia bem baixo, iluminando seus joelhos de menina machucados pelo destrambelhamento infantil que ainda, depois de alguns amores, não entende de sexo, meninos ou meninas.
o fim material.
(É muito sincero para ficar guardado)
Foi um abraço longo e uma despedida triste de dois amantes
cansados que não querem realmente partir. É doloroso ver ir embora quem se ama.
É difícil não conseguir expressar mais o amor que se sente por toda a dúvida e
medo e mágoa que se guarda sem saber. E nos fomos. E nos somos. E nos eramos
bem melhores juntos. Temos que ser bons sozinhos. Você é meu terceiro dente
bonitinho. Sempre será. Eu entraria e perderia uma briga por você. Eu posso ser
tão boba as vezes...
Desculpe por não ter tido aquele ataque de raiva, e choro, e
riso que sempre tenho quando algo muito dificil está para acontecer e eu não
sei lidar. Eu sei que você sente falta da minha reação de descontrole. Mas não
se sinta menos importante. Eu estou guardando tudo para mim, eu estou aprendendo
dificultosamente a ser sensata. A gente sabe que eu preciso parar de gargalhar
e chorar na frente dos outros sem aparentemente o menor sentido.
Eu achei que estava sendo uma pessoa melhor, meu melhor agora
não tem espaço para você. Eu queria então esquecer essa coisa de ser melhor e
ficar pertinho, e só.
Eu levantei a sua blusa hoje num impulso sem sentido porque
percebi como sinto falta da sua barriga. Nem gosto de barrigas. Sinto sua
falta, seu cheiro, seu abraço, seu peso. Não como amante, não é isso. É como
carne, como parte, como matéria. Você é meu abrigo, meu amigo, meu segredo mais
bonito.
Você é o meu segredo mais bonito.
Você é o meu segredo mais bonito.
Eu espero ser uma lembrança linda na sua mente e não
um espaço negro que a gente custa a adentrar por medo das
consequências.
Eu quero ser seu beija-flor, o sorriso que você enxerga pela
manha. Eu quero te agradar com todos os meus defeitos, e unhas malfeitas, e
crises de pânico.
Porque você amou isso em mim como mais ninguém amou. Você me
amou e só.
Você é meu porto seguro.
Meu porto seguro.
Meu melhor amigo amante
namorado
e quem irei morar junto.
E agora é nada
só
eu estou só
e falta
haja falta
e não há nada
que (eu)(você) possa fazer.
quinta-feira, 14 de junho de 2012
Aqueles rapazes.
Vi seus corpos
morenos e seus sorrisos luminosos, tão contrastantes com o que saia
de suas bocas. Eram meninos? Educados. Com pensamentos pequenos e
ingenuidades brilhantes. Eu os amei. Um deles percebeu. E sorriu. E
me chamou. E eu quis amá-los para sempre.
Eu estudo tanto,
e não sei nada sobre o que eles dizem. São sonhos tão brilhantes
e pequenos, tão diferentes dos meus. Grandes e vazios. Sensatos e inóspitos.
(Em homenagem aos aspirantes a algum cargo na marinha que eu conheci enquanto pegava um ônibus lotado, e que nunca mais vi.)
sexta-feira, 1 de junho de 2012
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Eu vou escrever um conto em sua homenagem!
Ela estava fumando seu cigarro na areia do Leblon em plena 3ª feira e já havia perdido as contas de quantas chamadass não atendidas haviam em seu celular. Pais sufocantes, problemas que ultrapassam gerações, o caos familiar virando o nosso caos, não importa. Se fosse parar para pensar conseguiria sentir a dor de seus pulmões frágeis com toda aquela fumaça que parecia ter um gosto agradável e tranquilizante, a droga da vez, o remédio contra todo o tédio e dor do dia-a-dia. Usual.
Parou um tempo, olhou a mochila, aquele lenço amarrado parecia estupido agora, queria chamar a atenção de quem? Boa pergunta. Não é pecado querer ter a atenção de alguém quando sente que o mundo está rápido demais para se acompanhar alguma noticia que todos falam mas você nem leu.
Talvez aquele emblema de colégio costurado, o desenho no bolso da frente, as fitas e pingentes tivessem perdido o significado. Talvez nada passasse de mais um ciclo que havia chegado ao fim.
Para quê três maços de cigarros? Exagero e desespero. Queria que alguém se importasse com sua saúde, queria chamar atenção, essa gente mimada não toma jeito nunca. Melhora, mas logo já está de novo fazendo as mesmas estupidas coisas. Só querendo regras, limites, atenção. Alguem que realmente se importe com algo que preste.
Será que eu não presto? É isso? Por isso você não grita mais comigo ou reprime algum instinto idiota meu? Dói ser esquecida, dói ser esquecida antes de esquecer.
Fuma mais um cigarro.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Ideias estúpidas costumam ser reconfortantes.
Quando as coisas começam a dar mais errado do que costumavam dar eu continuo pensando na mesma ideia fixa e absurda que consumiu meus dias mas me trouxe um cansaço tranquilo, um choro convicto e uma paz retorcida. Eu não deveria fazer escolhas tão burras, mas elas me escolhem como quem necessita de algo para se apoiar.
permanência.
A gaiola estava aberta mas o pássaro não fugiu. Já havia se acostumado a prisão, ao confinamento. Mesmo que olhasse melancolicamente pelas grades da gaiola, o medo e a paciência eterna não o deixavam sair. Interiormente. Emocional. Aquele momento perigoso do dia em que você sabe que se prendeu a uma barreira imaginaria, porque tem medo de viver sem esse tormento, porque o seu tormento, dolorido e custoso, é também carregado de esperança, de sonhos, de uma perspectiva inexistente de mudança que se agarra entre meus dedos calejados de tentar mudar tudo. E permanecer, constantemente, no mesmo lugar escuro.
você gosto eu espaço
Acordei com uma saudade aguda. Uma quase necessidade de abraçar e beijar e amar. Essas lembranças impressas em mim. E eu corro, e eu ando, e eu vou de encontro com elas. E você, onde está? Onde está o seu cheiro forte de homem e suas ações de menino? Onde está a força de vontade para me mandar longe e manter minha cabeça em frente sem memorias passadas de um eu você inexistente..
Eu quero jogar todos os seus bilhetes fora, eu quero relê-los todos os dias. Eu só os mantenho intactos e fora do meu campo de visão.
Dói recordar. Eu não quero esquecer. Vivo num intervalo perdido entre esses dois pontos para continuar gravando em mim uma meia imagem sua que se torna cada dia mais misteriosa e linda. E confusa; Contenho o ímpeto, não te procuro, não lhe respondo. Chego a não me ouvir quando sua presença se faz. Grito internamente. Permaneço por fora. Faço o que devo, e se me distraio, você retorna ao controle, atordoa minhas ações, quebra alguns pratos, e se despede.
Manhã estupida, chata e estupida, e linda porque o céu está num tom azul iluminado. E brilha, e sorri! E eu sorrio de volta! E você é saudade, e você é gosto. E eu sou espaço, lembrança. Mordida, riso, mãos. Minhas mãos. Elas perambulavam por você, e eram levadas pela sensação de ter; seu semblante tranquilo é o ponto inicial da minha falta.
eu poderia gritar para os pombos.
Nem tudo que morde é lobo. Nem todas as minhas palavras foram sinceras, algumas só queriam machucar. Da mesma forma que me senti violada e violentada pelas suas ações. Usei o que sabia fazer melhor, ofender e magoar, para ver se a sua ausência fazia meu pranto acabar, para ver se as coisas se acertavam.
Eu queria o fim.
E agora que o tenho,
e agora?
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Obrigada, L.
Durante algum tempo eu chorei e me debati pela vontade insana de preservar aquele momento sagrado que eu lembrava já com tantas distorções. Gritei, perdi o controle, agi mal. Nada adiantou. Quanto mais lutava, mais parecia que se perdia. Nada nunca era tão bom quando já tinha sido. A agonia e a aflição tomaram conta de mim, e então aconteceu:
Num desses dias em que se acorda mais tarde sem medo de ter perdido a manhã sonhando, abri os olhos descompromissada com a vida e pensei em você. Que surpresa a minha, vi tudo diferente. Não tive mais medo da perda, do afastamento, do fim. Consegui enxergar o que realmente importava.
Vi em cada instante a sua presença fortemente implantada, e minha consciência já não pesou por tudo que deixamos de fazer ou pelos planos que nós não concretizamos. Nosso maior plano estava feito! Sem dívidas, sem peso, sem culpa, sem remorso. O compartilhar foi tão essencial e gentil que nossas almas riram, livres.
O tempo muda, os valores foram todos comprometidos, as percepções se aguçaram e os conflitos cegaram a gente para tanta coisa. Nossos olhos já não se reconhecem, e nossas mãos tocam desajeitadamente o corpo do outro procurando nele uma qualidade inventada, um desejo novo, um aspecto inatingível.
Mas algo em nós, o nosso instinto, que insiste em não se comunicar com nossa racionalidade superprotetora ou reverter os orgulhos infantis. Essa força indomável, que não se sabe o que realmente quer, me atrai para você, lança meu corpo ao encontro do seu. Para qualquer toque, qualquer contato, qualquer esperança de uma ligação eterna.
Mas nossos corações insistem em não se reconhecerem.
E eu parto.
Te parto.
Que parto! É o de buscar em outro o sentimento de completude que só concretizo ao teu lado, e a ansiedade ao seu lado de tentar identificar em ti um algo que não consigo mais enxergar, pela força cruel da vida. Meu amor de criança, minhas lutinhas e meus fazem – de – conta não podem ser entendidos de outra forma além de uma felicidade simples e leve. Que eu continuo a carregar do seu lado, porque nenhuma força, nem o acaso, conseguiram, até agora, apagar essa ligação indizível que criamos.
Eles não entendem.
Mas mal é que não faz;
Eu dedico a minha loucura e meus jardins à você.
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