sábado, 28 de março de 2009

Te amo.

Eu geralmente não começo sendo especifica, mas dessa vez é diferente: Eu te amo. A verdade mais sincera e sem rodeios que consigo dizer. Ela se mostra cada dia mais nas minhas olheiras, no meu acordar ao meio dia e querer voltar a dormir, na minha falta de vontade de sair.

Não sei direito o que está acontecendo comigo, parece que não tenho mais controle sobre nada, nem sobre mim. Choro fora de hora, canso no meio dos jogos. Não presto atenção no que os outros dizem, ando distraia, não lembro o que almocei. Nada disso têm importância talvez.

Eu sinto sua falta, é a segunda verdade dita por hoje. Parece que um espaço vazio se formou aonde antes era reservado para você. Dói muito relembrar, mas é uma necessidade também. Confesso tenho medo de te esquecer. De não conseguir mais reconhecer seu sorriso, ou qual era seu gosto. Isso não deveria ter mais importância, mas eu ainda me importo. Não há mais nada à fazer.

E tento ocupar meu tempo de muitas formas, mas nenhuma delas parece totalmente eficaz. Sempre sobra um tempinho, alguns minutos, e esse tempo parece uma eternidade para a tentação de te procurar falar aos meus ouvidos que eu deveria voltar pra seu lado.

Atualmente isso vem afetando bastante minha vida, e por isso não consigo terminar nenhum texto. Talvez porque não queira dar minha opinião sobre o desfecho final dessa historia toda. Sempre foi mais fácil deixar pontos entreaberto.

26/03/2009

segunda-feira, 23 de março de 2009

Vivendo.

Eu te xingo, te faço lixo, te jogo fora. Digo que não quero mais saber, limpo minha vida de tudo que pode representar você. Grito pros quatro cantos que não vou te ligar, te procurar, te encontrar. Mas da errado, e logo volto pra você. Sou doce e você finge esquecer.

Sei que não esquece o que te faço, muito menos entende o porque dos meus atos. Mesmo assim me acolhe quando preciso, o que você quer de mim? Queria conseguir ser só tua amiga. Achei que precisasse de tempo, mas o tempo não ajuda a consertar o que já começou errado. Achei que precisasse de outro, mas nenhum, por mais que tente tem tanta graça quando você ao me dizer oi. Não sabia mais o que achar, resolvi desistir, me entregar.

Mas à que? A qualquer impulso idiota, qualquer sentimento que me convenha, alguma expressão que demonstre descaso por você. Não que qualquer uma dessas coisas sejam sinceras, eu não sei aonde meti minha sinceridade. Muito menos o que achava certo. Eu só estou vivendo.

quarta-feira, 11 de março de 2009

A casa.

Um homem mesquinho entra na casa com seus sapatos sujos, larga as meias em cima do sofá e o resto da roupa mais à frente, na porta do banheiro. Toma banho. Molha o resto da casa enquanto se arruma, alinha-se, perfuma-se e logo vai embora, deixando tudo assim, uma zona. Sem se preocupar com aquela casa, é só mais um lugar para ele se abrigar, aconchegar e descansar quando as coisas não estão muito bem daquela porta pra fora.

Fecha a porta e deixa as luzes acessas, nem as luzes ele apagou, é para mostrar, de mais uma forma que esteve ali. É assim que ele sempre faz, vem quando tudo está arrumado e transforma num inferno, desorganizado e cheio de roupa suja à ser lavada. Veja como é fácil para ele. Pena que não é tão fácil assim para a casa.

Casa, pobre casa, fica a mercê da vontade dele, e quando finalmente se arruma por completo, seca a água que se misturou com a sujeira de seus sapatos e se transformou em uma lama que cobria grande parte do chão. E acaba com toda a roupa suja que existia, ele volta.

Justamente na hora que ela tinha acabado o trabalho, quando não havia mais lembranças nem vestígios dele, e até as luzes que martelavam na casa a idéia que ele já havia posto tantas vezes a mão em suas paredes tinham sido apagadas. E a memória que ele se deitou em sua cama exausto e falou dos problemas já era vaga, quase esquecida pela casa. Mas quem diria que no começo até zelo ele tinha por ela, falando com orgulho:”minha casa, minha.”

Agora a casa não era mais uma novidade, era a mesma de sempre, branca e boba, sem graça. E ele não se importa mais com aquela mesmice toda, só quando precisa de abrigo é claro. Daquele ombro amigo, depois de noites e mais noites de farra sem a menor consideração pela pobre da casa, se ela estava bem, se sentia saudades.

Ela muito bem podia trocar a fechadura enquanto ele estivesse fora, então nunca mais isso tudo aconteceria. A roupa suja ou o chão enlameado. Muito menos a luz acesa, como ela odiava aquela luz acesa. Ela mostrava coisas que a casa a todo custo tentava não ver, mesmo estando dentro de si.

Mas quem disse que a casa tinha coragem de trocar a fechadura? Não, não tinha. E no fundo acho que não queria também. Ela tinha se apegado, maldito apego, só atrapalha as coisas. Então esperava, por ele, por uma mudança, por alguma esperança. Mesmo sabendo que seria impossível. E quando ela arrumava tudo até imaginava que estivesse livre dele, que podia esperar um novo morador. Mas nunca trocava a fechadura, talvez porque quando ele rodava a chave na porta, por aquele breve estante que ela sabia que era ele seu coração disparasse. E ela abrisse as janelas para o sol entrar. Mesmo sabendo que quando ele chegasse não olharia para ela. Ela que esperava um conforto, um gesto de carinho, só recebia lama e roupa suja, nada mais.

20/11/08