Eu como ser humano, mais especificamente como uma garota facilmente iludível sempre acabava por acreditar, rir e chorar com as próprias coisas que imaginava. Aquele garoto que eu nunca conheci, o que ria das minhas trapalhadas e que achava a minha maior gafe simplesmente bonitinha. Ele tem nome, idade, rosto, qualidades e defeitos. E eu poderia dizer sem medo algum, o amo.
Mas como o destino é injusto, ele não existe, não o conheço. E agora o que faço com tudo que imaginei? Se ao invés de conhecer gente de carne e osso por ai eu sempre achei mais prazeroso ficar deitada imaginando longas conversas, brigas e birras com ele?
Por isso desisti de tudo, desisti da minha imaginação e da alta capacidade de me entreter sozinha com outros (se é que consegue me entender) e fui conhecer pessoas. Mas era só conhecer alguém que já a recriava na minha cabeça. Ela era sempre perfeita, até nossas brigas eram confortantes. Bobagem minha, em pouco tempo percebi que não acontecia da mesma forma na vida real e que nem sempre as coisas acabavam bem. E ai eram não só uma, mas duas decepções. Pela briga e pela expectativa que eu havia criado pelas pessoas. Que podem ser tudo, menos perfeitas.
Então lá fui eu, mais uma vez desistir dessa minha imaginação fértil que só me causava problemas. E então comecei a falar, falar e falar. Não calava mais a boca, se não tivesse tempo de pensar em nada não teria mais tempo de imaginar também. Falava com tudo e todos, a todo o momento.
Mas o tempo foi passando, passando, e eu já até havia esquecido dela, mas tudo andava tão sem graça, pálido, desbotado. E faltava algo, viver só daquilo que estava na minha frente era simplesmente vago demais pra mim. E um dia, já deitada eu lembrei dele, do garoto que ria das minhas bobagens, e quando vi, estava rindo junto. Era um riso tão bom, tão calmo e descompromissado que me deixei rir.
E hoje, ele pode até não existir, mas faz meus dias risonhos e coloridos, como ninguém mais faz. Talvez não seja ele que faça isso já que não existe. Talvez seja eu, que quando canso do que vejo pela frente volto para rever os que sempre estiveram na minha mente.
terça-feira, 21 de outubro de 2008
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você tem futuro, fernanda! quando escrever um livro me dá uma cópia autografada, hm!! :B
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