Inúmeras coisas acontecem na vida das pessoas e cada uma reage de maneira diferente aos diversos fatos da vida. Essas coisas não são ensinadas no colégio nem em livros, no geral aprendemos sozinhos. Mas há algum tempo venho me perguntando se o modo como eu me comporto em determinadas situações é o certo, se eu não poderia ter feito melhor, se não poderia ter mudado algo.
Mas como julgar sentimentos que geram ações se só você mesmo os pode ver? Afinal, é muito fácil julgar alguém por não ter se comportando como você esperava, mas não é tão fácil entender o que essa mesma pessoa sente. Por isso sempre tive a convicção de que não poderia julgar ninguém por seus atos, mas julgo, sou humana, falho.
Hoje não vim julgar ninguém ou pensar no porque dos atos externos, quero entender melhor a razão desse sentimento que me consome por essas horas só ter chego agora, depois de tanto tempo.
É a saudade, ela sempre vem a tona, mas dessa vez foi de uma maneira diferente, acariciou minha pele como algo definitivo e me fez ter vontade de chorar. Essa é certa e convicta, não é como as outras, ela é real e não tem volta. A partir de hoje sempre irá existir periodicamente, e saindo dos lugares mais improváveis possíveis, só para dar o ar de sua graça.
Acho que me arrependo de não ter derramado nenhuma lágrima na época, de achar que tudo ficaria bem se eu fingisse que nada tinha acontecido, que ele entraria pela porta da sala novamente com um saco de balas na mão e me daria um beijo no rosto. Ele sempre fazia assim, e eu ainda tinha a audácia de reclamar as vezes, dizendo que não era mais criança e que ele não precisava trazer mais saquinhos de bala. Quem dera que só mais um saquinho desses aparecesse por aqui.
Ontem e hoje entrei em seu quarto, não era parecido com o que eu me lembrava. Não tinha mais seu cheiro de leite de rosas, nem suas coisas. Não tinha mais nada seu além da cama. Senti então pela primeira vez a sensação de perda. Abri os armários, gavetas, e nada. Não havia mais nada. Aonde foi que tinha parado tudo dele? Suas roupas ou objetos tinham simplesmente sumido, nem a minha foto que ficava na cabeceira da cama estava lá.
É verdade, nunca mais tinha entrado lá depois que ele morreu, nem dei muita importância para suas coisas na época, não me importei com nada. Eu simplesmente passei como se não houvesse ocorrido coisa alguma. Ficava deitada na sala, pensado que ele abriria a porta e chegaria mais uma vez, para um abraço de despedida. Passou mais de 3 anos e realmente, ele não voltou para me dar aquele abraço.
Eu fui mais afundo, perguntei aonde tinham parado suas roupas. Falaram-me que tudo foi doado e perguntam o porquê. Eu me fiz com todo descaso que pude, não sei o motivo ao certo, e disse que não era pra nada. Talvez não quisesse ver mais alguém pensando nele como eu estava. Com toda aquela saudade.
Eu só queria vestir suas camisas grandes em mim e pensar que ele me abraçava através delas. De recostar a cabeça em seu travesseiro e sentir aquele seu perfume que me afagava, de olhar para minha foto que ficava do lado da cama e imaginar o quanto ele me amava. E quantas vezes mais eu tinha que ter dito que o amava da mesma forma. Acho que mesmo que dissesse mais mil vezes não seria o suficiente para parar o que estou sentindo agora.
Eu que fiz tantas promessas pra ele, falei até dos filhos que teria, de como seria e que ele me ajudaria. Mas o mesmo não chegou a me ver nem completar 15. Queria que ele estivesse aqui agora...
(vovô, sinto sua falta.)
domingo, 26 de outubro de 2008
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acho esse texto comovente.
ResponderExcluirIsso foi muito emocinamte! T.T
ResponderExcluirEstou quase chorando aki! T.T